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A liderança política de Barcelona aproximou-se da aprovação de um aumento substancial no imposto turístico aplicado aos passageiros de cruzeiro, embora a proposta ainda exija a aprovação do parlamento catalão antes de poder entrar em vigor.
A medida foi promovida pelo partido de esquerda Barcelona en Comú (BComú) e pelo partido pró-independência Esquerra Republicana de Catalunya (ERC), com o apoio do partido governante Partido Socialista da Catalunha (PSC). Se aprovada, a taxa diária para passageiros de cruzeiro que visitam Barcelona por menos de 12 horas aumentaria dos atuais 11 euros para 30 euros.
Atualmente, a taxa consiste numa sobretaxa municipal de 5 euros e uma taxa regional de 6 euros. A legislação regional existente limita a contribuição da câmara municipal a 8 euros. Ao abrigo do novo acordo, esse teto aumentaria para 24 euros, permitindo que o imposto combinado atingisse 30 euros por passageiro.
O aumento proposto aplicar-se-ia exclusivamente a escalas de cruzeiro em trânsito, onde os navios permanecem no porto por menos de 12 horas. Os cruzeiros que começam ou terminam em Barcelona permaneceriam isentos da taxa mais alta, uma vez que estas operações são consideradas como geradoras de maiores benefícios económicos para a cidade através de estadias em hotéis, serviços de transporte e outros gastos relacionados com o turismo.
A iniciativa reflete os crescentes esforços políticos para abordar o impacto do turismo de cruzeiros na capital catalã. Os defensores da medida argumentam que um grande número de visitantes diurnos exerce pressão sobre os espaços públicos e infraestruturas, contribuindo comparativamente menos para a economia local do que os turistas que permanecem por mais tempo.
Representantes do Barcelona en Comú indicaram que o objetivo ia além da geração de receita. O partido defendeu que a taxa mais elevada também deveria servir como um instrumento político para desencorajar certas formas de turismo e ajudar a definir o papel que o tráfego de cruzeiros desempenhará no futuro modelo turístico da cidade.
O acordo entre o BComú, o ERC e a administração municipal liderada pelo PSC foi anunciado após negociações no conselho da cidade. Durante essas discussões, foram dirigidas críticas à administração do Presidente da Câmara Jaume Collboni, com os oponentes a argumentarem que as medidas para combater a superlotação não foram acompanhadas por ações suficientes e que algumas decisões de planeamento continuavam a favorecer empresas orientadas para o turismo.
Nem todos os partidos políticos apoiam o aumento do imposto. Alguns grupos defenderam a imposição de limites diretos às chegadas de cruzeiros em vez de aumentar as taxas dos passageiros. O conselho da cidade até agora rejeitou a introdução de limites anuais de passageiros, considerando tais restrições mais difíceis de implementar. Esta posição contribuiu para a oposição do Junts, do conservador Partido Popular (PP) e do partido de extrema-direita Vox, todos os quais votaram contra o aumento proposto.
A medida deverá ser apresentada como uma emenda ligada à legislação orçamental da Generalitat para 2026, com uma votação parlamentar prevista para 2 de julho.
Os passageiros de cruzeiro representam uma proporção relativamente pequena do número total de visitantes de Barcelona, representando aproximadamente 2,5% dos visitantes diários durante a época baixa e cerca de 7,5% durante os períodos de pico. Estudos indicam que os visitantes de cruzeiro normalmente passam uma média de 5,7 horas em terra durante a sua estadia.
O aumento de imposto proposto faz parte de uma estratégia mais ampla das autoridades de Barcelona para gerir o crescimento do turismo e aumentar o retorno económico da atividade dos visitantes. Nos últimos anos, a cidade apertou as regulamentações sobre alugueres de alojamento de curta duração e aumentou os impostos turísticos regionais e municipais, colocando Barcelona entre as cidades europeias com as taxas mais altas relacionadas com visitantes.
A infraestrutura portuária também está a passar por mudanças significativas. Os planos anunciados no ano passado preveem a redução dos terminais de cruzeiro no Cais Adossat de sete para cinco até 2030. O projeto reduzirá a capacidade simultânea de passageiros de aproximadamente 37.000 para 31.000 viajantes. No âmbito do esquema de reurbanização, três dos terminais mais antigos serão demolidos e substituídos por uma instalação recém-construída como parte de uma reorganização mais ampla da área portuária.
Caso a legislação receba aprovação parlamentar, o imposto de cruzeiro revisto deverá entrar em vigor no final do outono de 2026 ou início de 2027. Não se espera que os passageiros que viajam durante a atual temporada de verão sejam afetados pelas alterações propostas.

