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A chegada de um petroleiro com pavilhão do Reino Unido provocou a rejeição das autoridades do Governo da Terra do Fogo, na Argentina, que exigiram explicações por permitir a operação da embarcação. O navio foi identificado como VS Promise, de 228 metros de comprimento, 32 metros de largura e construído em 2007.
Em comunicado, a administração fueguina assinalou que "repudia e rejeita energicamente a operação de um navio petroleiro com bandeira do Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda do Norte no Porto de Ushuaia, atualmente subtraído da administração provincial como consequência da intervenção disposta pelo Governo nacional através da Agência Nacional de Portos e Navegação (Anpyn), cuja legalidade tem sido questionada pela Província perante a Justiça".
"Resulta inadmissível que, enquanto o Reino Unido mantém a ocupação ilegítima de uma parte integrante do território da Terra do Fogo —as Ilhas Malvinas, Geórgias do Sul, Sandwich do Sul e os espaços marítimos e insulares correspondentes—, uma embarcação de bandeira britânica opere no porto da capital da Província a que esses territórios pertencem conforme a Constituição Nacional e a Constituição Provincial", indicaram do governo provincial.
Além disso, a administração da Terra do Fogo salientou que "Ushuaia constitui um ponto estratégico de primeira ordem para a Argentina: pela sua localização, pela sua projeção sobre o Atlântico Sul e pela sua condição de porta de entrada para a Antártida, ocupa um lugar central na defesa dos nossos interesses soberanos e na presença argentina no extremo austral. As decisões que se adotem relativamente ao seu porto não podem desconsiderar essa realidade geográfica, constitucional e geopolítica".
"A defesa dos direitos soberanos argentinos sobre as Ilhas Malvinas, Geórgias do Sul, Sandwich do Sul e os espaços marítimos e insulares correspondentes não admite duplos discursos nem contradições. Constitui um objetivo permanente e irrenunciável do povo argentino, consagrado na Disposição Transitória Primeira da Constituição Nacional, e um mandato essencial para todo o povo argentino em geral e para as autoridades da Terra do Fogo conforme a Constituição Provincial, em particular", realçaram.
Nessa linha, o Governo da província reclamou ao Governo nacional "que informe de maneira imediata e pública sob que critérios políticos, estratégicos e administrativos se autorizou a operação de uma embarcação de bandeira da potência que ocupa ilegalmente parte do território provincial no Porto de Ushuaia".
Além disso, a administração fueguina exigiu "o fim da intervenção e a imediata restituição à Província da administração do seu porto, sem prejuízo das ações judiciais já promovidas contra uma medida que consideramos ilegítima e lesiva da autonomia provincial".
"A Terra do Fogo não permanecerá indiferente perante decisões adotadas unilateralmente do poder central que comprometam as suas competências, os seus recursos e os interesses estratégicos argentinos no Atlântico Sul. A Província continuará defendendo, por todos os meios institucionais ao seu alcance, as suas competências e os direitos soberanos da República Argentina no Atlântico Sul", afirmaram do Governo provincial.

