
O Ministério de Portos e Aeroportos (MPor), em parceria com o Ministério de Minas e Energia (MME) e a Agência Dinamarquesa de Energia (DEA), apresenta, nesta quarta-feira (28), durante o Brazil Windpower 2026, um estudo sobre a capacidade dos portos brasileiros para atender às demandas da indústria de energia eólica offshore, produzida a partir da força dos ventos em alto-mar.
Desenvolvido no âmbito da cooperação técnica entre Brasil e Dinamarca, com elaboração técnica da COWI, o levantamento realizou uma triagem de 43 portos e selecionou seis instalações para avaliação detalhada: Pecém (CE), Suape (PE), Porto Central (ES), Açu (RJ), Imbituba (SC) e Rio Grande (RS). O estudo identifica as condições atuais dessas instalações e as adaptações necessárias para apoiar a construção e a operação de futuros parques eólicos.
A chefa de Gabinete da Secretaria Nacional de Portos (SNP), Marina Bailão, destacou que o estudo oferece uma base técnica para orientar o planejamento portuário diante das demandas da energia eólica offshore. "Não há desenvolvimento competitivo da energia eólica offshore sem portos preparados. Esse diagnóstico nos ajuda a identificar prioridades, antecipar gargalos e qualificar o diálogo com o setor privado. Como as adaptações necessárias podem levar de cinco a sete anos ou mais, precisamos começar esse planejamento desde já, integrando as necessidades dessa nova indústria à preparação da infraestrutura portuária brasileira", afirmou.
A diretora do Departamento de Transição Energética do MME, Karina Araújo, destacou que o estudo reúne informações técnicas para apoiar decisões de investimento e reforça a importância da articulação entre o planejamento energético e a infraestrutura portuária. "A atuação conjunta entre MME e o MPOR demonstra que o planejamento da transição energética brasileira caminha lado a lado com a logística portuária. Os seis portos mapeados provam a competitividade regional do Brasil, do Nordeste ao Sul", afirmou.
O levantamento considera o marco legal estabelecido pela Lei nº 15.097/2025 e reúne informações para orientar o planejamento portuário e as decisões de investimento. A seleção das seis instalações não determina quais portos deverão ser utilizados pelos futuros empreendimentos, mas aponta oportunidades e desafios para o desenvolvimento da atividade no país.
A análise indica que os portos avaliados apresentam características favoráveis ao desenvolvimento da eólica offshore, como localização estratégica, experiência com operações portuárias e offshore e possibilidade de aproveitamento de estruturas já existentes. Apesar desse potencial, nenhum deles está plenamente preparado para receber terminais dedicados a grandes projetos sem investimentos adicionais.
Entre os principais desafios estão a ampliação de áreas para armazenamento e montagem de equipamentos, o reforço da infraestrutura portuária e a adequação das operações às exigências desse tipo de atividade. Segundo o estudo, essas adaptações podem levar de cinco a sete anos ou mais, o que reforça a necessidade de planejamento prévio para acompanhar a implantação dos empreendimentos prevista entre 2032 e 2035.
Além do diagnóstico, o estudo apresenta recomendações para orientar a atuação do poder público e da iniciativa privada. Entre as prioridades para o período de 2026 a 2028 estão a atualização dos instrumentos de planejamento portuário, o avanço da regulamentação da energia eólica offshore, a definição de áreas prioritárias para os projetos, o fortalecimento da articulação entre os órgãos envolvidos e o aperfeiçoamento do licenciamento ambiental.
Para o período de 2029 a 2032, o documento aponta ações voltadas à redução dos riscos para investimentos, ao desenvolvimento da cadeia produtiva e à qualificação da mão de obra.

