
Neste dia 14 de outubro o Porto de Santos celebra o aniversário de 100 anos da Lancha Igara, em exposição no Museu do Porto desde sua inauguração, em 1989, esteve em serviço do Porto de Santos entre 1926 e 1980.
A lancha, de 20 passageiros, foi construída na Inglaterra pelo estaleiro I. S. Thornycroft-Southampton. Sua chegada ao Porto de Santos conta atualmente algumas versões. Uma delas conta que a Igara foi doada pelo governo britânico.
A outra versão conta um episódio da família Guinle. A lancha teria sido doada por Oscar Coxs (fundador e ex-presidente do Fluminense, time de futebol do Rio de Janeiro) para Arnaldo Guinle (conselheiro do clube carioca) e irmão de Guilherme Guinle (diretor da CDS entre 1925 e 1961).
Cox em 1926, como agradecimento às contribuições da família Guinle na construção da arquibancada principal das Laranjeiras, antigo estádio e atual sede do clube carioca, teria feito a doação da embarcação para Arnaldo. Atualmente Arnaldo Guinle possui homenagens na sede e é considerado patrono do clube carioca.
Apesar desses remontes históricos, a identidade do doador e as circunstâncias exatas de sua transferência ainda necessitam de documentação primária.
A Igara, enquanto esteve em serviço da CDS (Companhia Docas de Santos), servia como embarcação de visitas técnicas e era responsável principalmente por navegar com a diretoria portuária a bordo.
A lancha também fez parte de histórias marcantes no Porto de Santos, como a recepção do histórico hidroavião Jahu, primeiro com tripulação brasileira a cruzar o Oceano Atlântico.
O idealizador da aventura, jovem João Ribeiro de Barros, descendente de barões do café da região de Jaú, interior de São Paulo, na companhia Vasco Cinquini (mecânico), Newton Braga (capitão) e do jovem piloto de caça Arthur Cunha (tenente), decolou de Gênova dia 13 de outubro de 1926.
Os heróis, tripulantes do Jahu, após longos nove meses e meio de jornada, às 13h do dia 28 de julho de 1927, amerissaram sob grande celebração no caís do Estuário, próximo a Ilha Barnabé e foram conduzidos pela Igara até o cais da Alfândega, onde foram recebidos com chuva de flores e aplausos.
Ao longo dos anos, a embarcação se tornou objeto de apreço de José de Menezes Berenguer, Engenheiro chefe da CDS entre os anos de 1946 e 1980. Sua grande dedicação e empenho na preservação da Igara tornam Berenguer um personagem marcante na história da lancha.
Intimamente ligada à trajetória do Porto de Santos, a Igara constitui um importante período da memória marítima e portuária brasileira. Atualmente é acervo histórico e atração turística do Museu do Porto.
Com o intenso trabalho de Berenguer e as diversas revitalizações realizadas na embarcação, a última delas durante as comemorações dos 35 anos do Museu em 2024, foi possível preservar esse capítulo da história portuária, alcançando hoje a marca de 100 anos.
Serviço
O Museu do Porto de Santos funciona de segunda a sábado, das 9h às 17h, na Avenida Conselheiro Rodrigues Alves, s/nº, esquina com a Rua Conselheiro João Alfredo, no bairro Macuco, em Santos.

