
O histórico navio Professor W. Besnard foi rebocado nesta sexta-feira (23/10) pela manhã do Parque Valongo para estaleiro situado no Guarujá, margem esquerda do canal de navegação do Porto de Santos, onde passará por reparos. O objetivo é providenciar seu retorno ao Valongo, em lugar de destaque, para ser visitado por turistas e moradores da região.
O futuro do navio que cumpriu inúmeras missões de pesquisa no Atlântico Sul, inclusive na Antártida, foi definido pelo presidente da Autoridade Portuária de Santos (APS), Anderson Pomini: "O navio Besnard ficará em exposição permanente no Parque Valongo. Já acertamos este novo destino do navio com o Concais, que também será transferido para o Valongo. Assim, teremos mais uma atração no Valongo que vai emocionar os turistas que chegarem a Santos pelos navios de cruzeiro", afirmou Pomini.
O presidente da APS destacou que, no estaleiro, o navio passará por restauração; "Não para voltar a navegar, mas para que possa ser rebocado de volta ao Valongo e ali ser contemplado em melhores condições e com toda a atenção que merece", afirmou o presidente após ser informado de que a operação de reboque, autorizada pela Marinha do Brasil, foi realizada com sucesso.
Quatro rebocadores e outras embarcações de apoio acompanharam a condução do navio pelo canal do Porto de Santos, que ocorreu sem transtornos e em baixa velocidade, em pouco mais de uma hora e meia. A operação foi acompanhada pela Guarda Portuária, pela Marinha do Brasil e técnicos da empresa Marfort.
Histórico
O navio oceanográfico Professor Wladimir Besnard foi lançado ao mar em 1966 em um estaleiro na cidade de Bergen, na Noruega. Encomendado pelo governo de São Paulo, ele chegou a Santos em 9 de agosto de 1967, tornando-se o primeiro navio de pesquisa civil e o primeiro navio oceanográfico da USP.
Ao longo dos anos, realizou mais de 260 expedições científicas, levou as primeiras equipes de pesquisa brasileiras à Antártida (em 1982) e passou por reformas nos anos 1990.
Deixou de navegar em 2008 em razão de um incêndio ocorrido quando a embarcação se encontrava no Rio de Janeiro. Pouco depois, o navio foi rebocado ao cais do Valongo, em Santos, que anos mais tarde foi revitalizado e se tornou ponto turístico da cidade.
Em março de 2026, o navio adernou e tiveram início os trabalhos com vistas a sua reflutuação. A engenharia envolveu a vedação completa de compartimentos do navio (tamponamento), teste de estanqueidade e uso de bombas hidráulicas para a retirada da água até o navio ser erguido e estabilizado.
O processo de revitalização do navio deu um importante passo nesta sexta, com o reboque da embarcação para o estaleiro no Guarujá, o que permitirá a conclusão de sua recuperação.

