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Por Alexandra Valencia e Yury Garcia
QUITO, 4 de setembro (Reuters) – O Equador defendeu na sexta-feira as operações dos EUA que interceptaram e afundaram três embarcações equatorianas esta semana, enquanto parentes de alguns tripulantes disseram que os homens eram pescadores e acusaram Washington de agir sem provas.
O episódio é o mais recente em uma campanha crescente dos EUA contra o tráfico marítimo de drogas no Pacífico oriental, que tem gerado críticas de grupos de direitos humanos e preocupação na América Latina sobre o uso de força letal no mar.
Parentes contestaram a versão oficial. A esposa de um tripulante, que se identificou como Rosalba, de 47 anos, sem dar o sobrenome, disse por telefone que os homens estavam pescando quando foram abordados e que nenhuma droga foi encontrada.
"Não entendo por que o governo dos EUA tem que agir de forma tão arbitrária", disse ela, acusando-o de violar os direitos humanos dos pescadores.
Ela disse que a embarcação transportava apenas peixes e alegou que foi atingida em águas equatorianas, não internacionais. A Reuters não pôde verificar independentemente sua versão.
O governo do Equador disse que a operação foi resultado de investigações conjuntas com Washington visando a logística de contrabando de drogas ligada a gangues criminosas.
"Este é um trabalho realizado por meio de cooperação internacional", disse o ministro do Interior, John Reimberg, à emissora Teleamazonas, acrescentando que as embarcações serviam como pontos flutuantes de reabastecimento que ajudam as lanchas a mover drogas para o norte, em direção ao México e aos Estados Unidos.
O Comando Sul dos EUA disse que as embarcações afundadas esta semana estavam sendo usadas como estações de reabastecimento para o tráfico de drogas e que estavam ligadas à gangue Los Choneros. Vídeo divulgado pelos militares mostrou imagens monocromáticas de agentes se aproximando e abordando uma embarcação antes que ela fosse explodida no mar. A Reuters não pôde verificar independentemente a data e o local da filmagem.
Em 3 de setembro, sob a direção do Comandante do #SOUTHCOM, General Francis L. Donovan, e em coordenação e colaboração com o Governo do Equador, a Força-Tarefa Conjunta do Hemisfério Ocidental (JTF-WHEM) interceptou com sucesso uma embarcação operando como uma estação flutuante de reabastecimento em apoio…
— Comando Sul dos EUA (@Southcom) 4 de setembro de 2026
A Marinha Equatoriana disse que 28 tripulantes de duas embarcações – nove do Conquista II e 19 do OM2 – chegaram a Manta às 15h, horário local, a bordo de uma embarcação da guarda costeira. Outros oito tripulantes do Conquista II ainda estavam retornando ao porto a bordo de outra embarcação.
(Reportagem de Alexandra Valencia e Yury Garcia; Redação de Kylie Madry, Edição de Sanjev Miglani e Iñigo Alexander)

