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A presidente da Autoridade Portuária da Baía de Cádiz, Teófila Martínez, e o responsável pelo projeto OPS da Endesa, José María Reyes, apresentaram hoje na Seatrade Cruise Med, que se realiza em Las Palmas, o sistema OPS (Onshore Power Supply) para cruzeiros do Porto de Cádiz, uma infraestrutura que coloca o porto gaditano na vanguarda da eletrificação portuária e da transição energética do setor de cruzeiros.
A apresentação, que foi realizada no stand da Puertos del Estado, permitiu dar a conhecer a representantes da indústria internacional de cruzeiros as características e funcionalidades de um sistema que permite que os navios conectem as suas instalações à rede elétrica enquanto permanecem atracados no Cais Alfonso XIII, evitando assim manter os seus motores auxiliares em funcionamento para cobrir as suas necessidades energéticas durante a escala.
Esta solução contribui para reduzir de forma significativa o impacto ambiental e acústico das escalas. De acordo com os cálculos da Puertos del Estado, a conexão elétrica pode reduzir em 96% as emissões de NOx, 8% as de SOx, 94% as partículas e 64% o CO₂ em comparação com a geração elétrica a bordo através de combustível. No caso do Porto de Cádiz, o efeito é reforçado pelo fornecimento de energia com certificado de origem renovável por parte da Endesa.
O projeto implicou um investimento de 1,5 milhões de euros por parte da APBC nesta primeira fase, enquanto a Endesa destinou 6,75 milhões de euros, incluindo 2,7 milhões provenientes do Programa de Apoio ao Transporte Sustentável e Digital, no âmbito do Plano de Recuperação, Transformação e Resiliência financiado pelos fundos NextGenerationEU.
A instalação conta com uma estação OPS de 16 MVA, equipada para adaptar a tensão e frequência da rede elétrica aos requisitos do navio. O sistema é completado com um dispositivo móvel de conexão dotado de um braço articulado que permite realizar a ligação entre a infraestrutura terrestre e o navio de forma segura e eficiente.
Nesta primeira etapa, a instalação está dimensionada para fornecer eletricidade a um navio, mas graças à sua configuração modular permitirá ampliar posteriormente a potência até 24 MVA e atender a outros navios em diferentes cais.
A demanda prevista durante o primeiro ano situa-se em 8,62 GWh, com uma poupança estimada de cerca de 5.000 toneladas de CO₂ anuais, equivalente às emissões associadas a cerca de 2.800 veículos circulando durante um ano. A Endesa dispõe de uma concessão de 35 anos para a prestação do serviço no Cais Alfonso XIII.
Durante a apresentação, Teófila Martínez destacou o valor de o Porto de Cádiz poder mostrar num fórum internacional especializado como a Seatrade Cruise Med uma infraestrutura cujo sucesso será medido por cada navio que desligar os seus motores quando atracar no nosso porto.
A participação da APBC e da Endesa na Seatrade Cruise Med permite assim mostrar ao setor internacional de cruzeiros uma solução já operacional e escalável, alinhada com as novas exigências ambientais do transporte marítimo e com a estratégia do Porto de Cádiz para avançar para um modelo portuário mais eletrificado, eficiente e sustentável.
