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A Aliança para a Competitividade da Indústria Espanhola alertou para o impacto que a crise energética derivada do conflito no Golfo Pérsico está a ter sobre a atividade manufatureira local e apelou à adoção urgente de medidas que permitam preservar a competitividade das empresas, o investimento industrial e o emprego. O impacto, de acordo com a entidade, é de cerca de 7.400 milhões de euros.
Segundo as estimativas elaboradas pela organização a partir da evolução e dos futuros dos mercados TTF (gás) e OMIE (eletricidade), o encarecimento associado ao aumento dos preços do gás ascenderia a cerca de 4.220 milhões de euros, enquanto o sobrecusto derivado da eletricidade atingiria os 3.175 milhões de euros.
A Aliança assinala que a situação se deteriorou significativamente durante os meses de julho, agosto e, especialmente, setembro, coincidindo com o recrudescimento das tensões nos mercados energéticos internacionais e uma nova escalada dos preços do gás e da eletricidade derivada da situação geopolítica. Segundo os seus cálculos, apenas durante o último quadrimestre do ano poderá concentrar-se 70% do impacto anual previsto sobre os custos energéticos da indústria.
"A crise de Ormuz não originou os problemas de competitividade da indústria espanhola, mas intensificou dificuldades que já vínhamos enfrentando. O forte aumento dos custos energéticos registado durante os últimos meses exige uma resposta imediata e decidida que permita manter a atividade industrial, o investimento e o emprego", afirmou Carlos Reinoso, porta-voz da Aliança para a Competitividade da Indústria Espanhola.
Diante desta situação, a organização considera necessário adotar medidas urgentes e de maior alcance do que as ativadas até o momento, considerando que o preço do gás ultrapassou a plataforma dos 80€/MWh e o mercado diário de eletricidade registou uma média próxima de 150€/MWh no que vai de setembro (face aos 61 €/MWh do mesmo mês do ano anterior).
"Encontramo-nos perante uma situação excecional que requer medidas excecionais. A indústria demonstrou uma enorme capacidade de adaptação, mas dificilmente pode absorver sozinha um impacto energético desta magnitude. É necessário que os poderes públicos atuem com urgência para evitar que esta deterioração de custos termine por se traduzir numa perda de produção, investimento e emprego", acrescentou Carlos Reinoso.
A Aliança defende que estas ações sejam planeadas a partir de uma perspetiva construtiva e de colaboração público-privada, com o objetivo de proteger a atividade industrial e reforçar a posição competitiva de Espanha num momento de elevada incerteza internacional.
A entidade recordou que a indústria espanhola opera num ambiente de aberta concorrência internacional e a crise de Ormuz atuou como detonador de uma situação que já vinha gerando preocupação entre os setores industriais mais intensivos em consumo energético.
Além disso, a Aliança sublinhou que a deterioração dos custos energéticos coincide com sinais de desaceleração da atividade industrial em Espanha, o que reforça a necessidade de adotar medidas que contribuam para sustentar a capacidade produtiva e o tecido empresarial do país.

