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A gestão de resíduos gerados pelos navios tem uma particularidade: a operação não termina quando o lixo é retirado do barco. A partir desse momento, começa outro percurso que tem sido difícil de medir de forma integral e que pode representar uma oportunidade para reduzir emissões e recuperar materiais.
Com esse foco, a empresa mexicana Maritime Procurement Services (MPS) apresentará em Singapura SeaSustain, uma plataforma desenvolvida para acompanhar o percurso dos resíduos desde a sua descarga no porto até o seu destino final para transformá-lo em informação ambiental.
A companhia foi selecionada como uma das 15 finalistas do PIER71 Smart Port Challenge 2026 e é a única empresa latino-americana que participa nesta etapa do programa internacional de inovação marítima. A final está prevista para o próximo dia 11 de novembro em Singapura.
SeaSustain busca identificar o que acontece com cada material uma vez que é retirado de uma embarcação, quanto pode ser recuperado ou reciclado e que emissões podem ser evitadas ao substituir matérias-primas novas por materiais recuperados.
A proposta ganha relevância em uma indústria que concentra cerca de 90% do comércio global, segundo a Organização Marítima Internacional (OMI). Além disso, de acordo com dados do setor, o transporte marítimo gera cerca de 3% das emissões globais de gases de efeito estufa.
Em matéria de resíduos, o desafio não é novo. O Anexo V do Convênio MARPOL estabelece medidas para prevenir a poluição por lixo dos navios e obriga os governos a garantir instalações portuárias adequadas para receber esses resíduos sem gerar atrasos indevidos às embarcações.
A OMI reconheceu que a disponibilidade de instalações de recepção é um elemento chave para que as regras possam ser cumpridas de maneira efetiva.
Nesse cenário, a proposta da MPS aponta para um passo adicional: não apenas receber e dispor dos resíduos, mas gerar informação sobre seu destino e o benefício ambiental.
"Os resíduos não desaparecem quando saem do navio; apenas mudam de lugar. Nós os seguimos, do cais à planta e da planta ao seu destino final, e convertemos esse percurso em dados", explicou Alejandro Trillo, CEO da MPS.
A plataforma foi desenvolvida a partir da operação da própria empresa, que acumula uma década de informação sobre manejo de resíduos de embarcações. Atualmente, a MPS realiza cerca de dois mil 461 serviços a navios por ano em 14 portos do Pacífico, Golfo e do Caribe.
"Cada tonelada que recuperamos deixa de ser um resíduo e se converte em matéria-prima que substitui materiais virgens. Essa é uma alavanca climática que até agora tem sido muito difícil de medir no setor marítimo", assinalou Trillo.
O desafio para a indústria é relevante porque a gestão de resíduos faz parte de uma cadeia que envolve o navio, o porto, os prestadores de serviços, as instalações receptoras e os processos posteriores de tratamento ou reciclagem.
O PIER71 Smart Port Challenge busca soluções tecnológicas que atendam a desafios reais da indústria marítima e contempla categorias como tecnologias marítimas verdes, novos modelos portuários, smart shipping e digitalização. As equipes selecionadas participam de um programa de validação de mercado e vinculação com atores da indústria.

