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A partir de 1º de setembro deste ano, Peru e Hong Kong vivem uma nova etapa de sua relação bilateral, pois entrou em vigor o acordo de livre comércio (ALC) assinado entre ambas as economias, o que marca um novo marco na integração comercial do país com a Ásia, que permitirá maior segurança e previsibilidade às exportações peruanas, ampliará as oportunidades para bens, serviços e provedores de serviços peruanos e contribuirá para fortalecer a relação comercial bilateral.
Hong Kong é o sexto mercado de destino das remessas peruanas não tradicionais na Ásia, por isso o ALC aprofundará a presença de produtos peruanos de maior valor agregado nesse mercado.
"Com o acordo assinado com Hong Kong, ampliamos nossa rede de acordos comerciais, e agora contamos com 25 acordos comerciais com 59 países aos quais somamos a economia de Hong Kong", afirmou o diretor-geral da Direção Geral de Negociações Comerciais Internacionais do Ministério do Comércio Exterior e Turismo (Mincetur), José Luis Castillo.
O funcionário detalhou que as negociações deste ALC foram iniciadas em 2022 e foram assinadas em novembro de 2024. "Já entrou em vigor, e é um acordo amplo, que abrange o comércio de bens, serviços – incluindo os serviços financeiros –, bem como temas relacionados à proteção da propriedade intelectual; ou seja, é um acordo bastante amplo e abrangente", garantiu no Suplemento Económika do Diário El Peruano.
De acordo com o representante do Mincetur, o ALC com Hong Kong coadjuva a estratégia de consolidar a posição do Peru na região Ásia-Pacífico.
"O objetivo é transformar o Peru em um hub da América do Sul com vistas à Ásia-Pacífico, e este ALC, somado aos acordos assinados com outras economias asiáticas, nos permitirá alcançar esse objetivo", referiu Castillo.
Entre os benefícios do acordo destacam-se a redução tarifária para ambas as partes (tarifa zero), bem como os capítulos relacionados às medidas sanitárias e fitossanitárias.
"Essas medidas proporcionarão maior transparência e previsibilidade na aplicação de requisitos sanitários técnicos para produtos do Peru e de Hong Kong. Dessa forma, facilita-se a entrada de produtos peruanos nesse importante mercado asiático"; afirmou.
Castillo também destacou o tema relacionado ao comércio de serviços. "O acordo contém disposições que estabelecem um arcabouço jurídico estável para poder exportar e importar serviços sem restrições. Isso cria oportunidades tanto para o envio de serviços de modo transfronteiriço quanto para o caso de serviços de software, aplicativos móveis, material audiovisual, entre outros", precisou.
Acrescentou que isso permitirá a realização de associações entre empresas peruanas e de Hong Kong, especialmente pequenas e médias (PMEs), com vistas a exportar serviços para a China.
O funcionário do Mincetur comentou que o megaporto de Chancay estabelece uma rota direta do Peru para a Ásia e reduziu o número de dias necessários para alcançar esse mercado.
"Isso abre uma série de possibilidades para produtos perecíveis peruanos, já que, anteriormente, devido ao tempo de viagem, não podiam ser comercializados. Isso é fundamental", detalhou.
Castillo afirma que, entre os acordos que estão sendo negociados atualmente, encontra-se um ALC com os Emirados Árabes Unidos, um acordo que já teve três rodadas de negociações.
"Também temos aberta uma negociação com a Índia, e também temos adesões em negociação, como é o caso da Costa Rica, ao Tratado Abrangente e Progressivo para a Parceria Transpacífico (CPTPP, na sigla em inglês). Também estamos ampliando nosso acordo bilateral com o Uruguai, que cobre o comércio de bens, e o estamos complementando com outras disposições relacionadas ao comércio de serviços e aos investimentos", pontuou.

