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A companhia marítima Ocean Network Express (ONE) antecipa à Gestión como a composição da carga peruana está mudando e quais novos serviços estão sendo implementados para o mercado nacional.
O Fenômeno El Niño está impactando a carga peruana para o exterior? A pesca é um dos setores que vem enfrentando os efeitos das condições climáticas, particularmente nos embarques de farinha de peixe. Somente no primeiro semestre de 2026, o Peru exportou farinha de peixe por aproximadamente US$ 896,9 milhões FOB, uma queda interanual de 18,8%. A redução respondeu principalmente a um menor volume despachado, que retrocedeu 41,5%. Que tipo de carga está ganhando mais peso e como vem avançando a presença da companhia marítima Ocean Network Express (ONE) no mercado peruano, com escalas no porto de Callao?
Gilberto Santos, gerente geral da ONE Peru, disse à Gestión que os volumes movimentados do país vêm crescendo a taxas de dois dígitos. Em relação a 2025, o aumento está entre 15% e 20% durante o primeiro semestre, precisou durante sua participação na Expoalimentaria 2026, organizada pela ADEX.
Em relação à composição da carga, a operação da ONE no Peru se concentra principalmente em agronegócios, mineração e pesca. O agronegócio mantém uma presença importante, embora exista certa incerteza. "Este ano temos a preocupação, os efeitos que o El Niño pode ter sobre a produção peruana, de quanto isso nos afetará em volume", disse Santos. Até o momento, observou, não é possível determinar a magnitude desse efeito.
A pesca, por sua vez, já vem enfrentando um impacto pelas condições climáticas. Uma parte importante dessa atividade foi suspensa, o que reduziu a disponibilidade de carga para a operação logística. "A pesca, por sua vez, está impactada exatamente pelo El Niño", afirmou.
Diante dessa menor disponibilidade, a ONE compensou parte dos volumes pesqueiros com outros produtos, principalmente minerais.
Dentro da carga pesqueira, a farinha de peixe tem um peso relevante para a operação logística. Sua menor disponibilidade, portanto, também limitou o crescimento dos volumes movimentados pela companhia marítima. "A farinha de peixe, principalmente, é um produto chave para qualquer movimento logístico. E o fato de que este ano isso não esteja, naturalmente, não nos permitiu crescer mais exatamente porque isso não está", reconheceu Santos.
Em relação aos destinos da carga peruana, os Estados Unidos concentram uma parte importante das exportações, particularmente de frutas. Embora a distribuição varie de acordo com o produto: enquanto a uva tem este mercado entre seus principais destinos, o abacate se dirige tanto aos Estados Unidos quanto à Ásia.
Este último mercado representa também uma parte importante da operação da ONE a partir do Peru. "Então, aí falamos de Japão, Coreia, China, em particular, com serviços dedicados que vão por esta região e que igualmente levam um monte de produtos peruanos para lá", expressou.
A esses destinos soma-se uma participação crescente de produtos peruanos para outros mercados da região. "Há igualmente uma participação maior, mais crescente do Peru em alguns produtos intra-Américas", manifestou. Entre eles mencionou México, América Central, Colômbia e Equador.
No caso da Europa, a ONE não conta atualmente com serviços diretos para esse mercado. Embora a companhia marítima tenha planos de avançar nessa direção, esclareceu que por enquanto não é uma operação vigente.
Nesse contexto de crescimento dos volumes peruanos, a ONE incorporou o AX4, um novo serviço orientado principalmente à carga com destino ao Japão e à China. Esta operação foi criada para atender aos crescentes volumes de origem peruana, particularmente aqueles com destino à Ásia.
Um dos principais atributos do AX4 é a redução dos tempos de trânsito. Santos precisou que esta varia de acordo com a origem e o destino e pode chegar a entre 7 e 12 dias, embora, ao considerar as diferentes rotas, estimou que a média se situe entre 7 e 10 dias.
Essa diferença responde, argumentou, à configuração da rota. O Peru é a penúltima escala do AX4 antes de continuar diretamente para o Japão, enquanto outras conexões realizam escalas adicionais em portos da região antes de chegar à Ásia. "Este serviço (o) tem basicamente o Peru. É a penúltima escala deste serviço. Tem apenas uma escala no Equador. De lá segue diretamente para o Japão", relatou.
Em relação à operação portuária no Peru, o porto de Callao concentra cerca de 80% da carga que a ONE movimenta do país. A companhia marítima também mantém uma escala regular semanal no porto de Paita e prevê realizar escalas específicas no porto de Pisco durante a temporada de uva deste ano.
Chancay, por outro lado, não faz parte atualmente da operação da ONE nem de seu planejamento imediato. "Não está em nosso pipeline nenhuma operação que vá por lá de forma efetiva a curto prazo", sublinhou.
A decisão responde principalmente à configuração dos serviços da companhia marítima e às alianças que mantém com seus parceiros comerciais. A isso se soma o fato de que as rotas atuais não contam com tempo nem espaço para incorporar uma escala adicional em Chancay.
Além disso, Santos assinalou que para a ONE é mais eficiente concentrar a carga em um único porto do que distribuí-la entre Callao e Chancay. "Para nós, concentrar a carga em um único porto, do ponto de vista logístico, é muito mais eficiente e nós não adicionaríamos necessariamente muito mais volume adicionando Chancay. Mudar puramente Chancay por Callao é algo que vemos que não é efetivo", sustentou.

