• 2 min de lectura
• 2 min de lectura

A América Latina encontra-se em um ponto de inflexão onde suas promessas de desenvolvimento econômico dependem, mais do que nunca, de sua capacidade de garantir a paz interna. Historicamente, a região é uma plataforma logística, mas existe um problema crescente: a crise de segurança e o crime organizado transnacional.
Há alguns dias, o presidente Kast no Paraguai, no âmbito da reunião do Mercosul, grupo de países que tem intercâmbios comerciais com o Chile que somam USD 22.934 milhões, fez um apelo nesta linha. O chefe de Estado assinalou que os esforços de conectividade física serão infrutíferos se a infraestrutura não for protegida pelas nações que desfrutam dela.
No centro desta discussão está o ambicioso Corredor Bioceânico, uma obra de engenharia que contempla uma rede viária de aproximadamente 2.400 quilômetros projetada para unir o oceano Atlântico com o Pacífico (onde os países se comprometeram com obras como instalações portuárias e acessos, zonas de carga e descarga, melhoria de autoestradas, construção de pontes e outras iniciativas).
Este megaprojeto, que conectará o centro-oeste do Brasil, as províncias do norte da Argentina, tem sua saída nos terminais marítimos do norte do Chile, especificamente nos portos de Antofagasta, Mejillones, Tocopilla e Iquique.
Para a economia, o corredor promete dinamizar o fluxo de mercadorias, oferecendo uma via terrestre e marítima muito mais rápida e competitiva para exportar e importar produtos de e para os mercados da Ásia-Pacífico e Europa.
No entanto, este corredor acarreta desafios. Uma das principais preocupações reside na fronteira, nos portos e nas alfândegas. Um espaço desta magnitude se torna um objetivo de alto valor para as organizações criminosas.
O apelo do governo chileno aos países vizinhos foi o fortalecimento da segurança nos pontos de saída e entrada de bens. A cooperação internacional com potências da União Europeia, como a Alemanha, responde a esta mesma lógica: que os portos do Pacífico implementem medidas concretas.
Como sabemos, o Corredor Bioceânico representa uma oportunidade histórica para a integração da América do Sul. No entanto, o sucesso desta rota comercial dependerá de que os países envolvidos assumam que a segurança e o desenvolvimento econômico caminham juntos. Na região, urge a estabilidade para competir no cenário global.

