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Alberto Undurraga é ex-ministro de Obras Públicas e assessor do Conselho de Políticas de Infraestrutura (CPI).
A aprovação ambiental do Porto Exterior de San Antonio por parte da Comissão de Avaliação Ambiental da Região de Valparaíso esta semana é uma ótima notícia para o Chile. Não é apenas uma permissão relevante: é um marco decisivo para uma obra que vem sendo amadurecida há anos e que pode marcar nossa competitividade por décadas.
Nosso país precisa voltar a crescer e para isso precisa de nova infraestrutura. San Antonio já é o principal porto em nível nacional e a maior porta logística da macrozona central. Por ele entra e sai uma parte essencial do que produzimos, consumimos e exportamos.
Sua ampliação não é um projeto local nem setorial: é uma condição para que as exportações não percam competitividade, para que as importações não se encareçam e para responder a navios de maior porte e a uma logística cada vez mais exigente.
O Porto Exterior - que representa um investimento de USD 4.450 milhões, com participação pública e privada - importa também porque pode ser uma oportunidade para que a comuna que o abriga se transforme em uma cidade melhor. O desafio não é escolher entre porto e cidade, mas fazer ambas as coisas bem.
A nova infraestrutura deve ser acompanhada de acessos rodoviários e ferroviários, tecnologia, mitigações ambientais, espaços públicos e uma relação mais equilibrada com San Antonio. Um bom porto não apenas movimenta carga: organiza território, gera empregos e abre oportunidades urbanas.
Como vemos, trata-se de uma obra de Estado. Diferentes governos cumpriram diferentes etapas: a realização de estudos de engenharia; a seleção de sua localização; o processo de avaliação ambiental (que começou em 2020), o financiamento e a licitação. Essa continuidade institucional é valiosa.
Fomos capazes de construir obras desafiadoras: o Viaduto do Malleco, o molhe de abrigo de Valparaíso e a Ponte sobre o Canal do Chacao, para mencionar algumas iniciativas. Todas enfrentaram dúvidas, custos e resistências, mas quando as autoridades estiveram à altura, passaram a ser um patrimônio de todos; um polo de desenvolvimento.
Com a aprovação ambiental cumprida, o foco muda. A responsabilidade fica agora nas mãos das autoridades da empresa portuária e nacionais - especialmente as do Ministério dos Transportes e Telecomunicações - para impulsionar com decisão a licitação em curso e garantir que chegue a bom termo, com concorrência, transparência e sentido estratégico, e depois disso iniciar a construção.
A experiência nos indica que em iniciativas dessa magnitude sempre surgem dificuldades técnicas, orçamentárias e de coordenação. Precisamente por isso, é necessária condução, convicção e visão de Estado, a longo prazo.
San Antonio é mais do que um porto. É uma prova de se o Chile ainda pode construir futuro, crescer com cidades melhores e transformar os grandes acordos em obras concretas. A história demonstrou que é possível.
Fonte: portalportuario

