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As refinarias estatais da China estão considerando retomar as compras de petróleo iraniano. No entanto, a concorrência de suprimentos alternativos e a queda na demanda interna de combustível moderarão seu interesse, apontaram várias fontes do setor.
Qualquer aquisição que seja realizada seria a primeira desde 2019, ano em que a Sinopec e a PetroChina compraram petróleo iraniano pouco depois que o presidente americano, Donald Trump, reimposou sanções às exportações de petróleo de Teerã durante seu primeiro mandato.
PetroChina e Sinopec estão analisando os fatores bancários, de seguros e de transporte marítimo necessários para retomar suas operações com o Irã, apontaram três das fontes, que são funcionários de companhias petrolíferas estatais chinesas e falaram sob condição de anonimato devido à sensibilidade do tema.
A decisão é tomada após a isenção concedida pelos Estados Unidos na segunda-feira, 22 de junho, a qual permite aos clientes globais comprar petróleo e produtos petroquímicos iranianos, bem como liquidar as transações em dólares americanos, após o memorando de entendimento assinado na semana passada que pôs fim à guerra dos Estados Unidos e Israel contra o Irã.
"Vamos ver quem se atreve a ser o primeiro a provar o caranguejo", comentou uma das três fontes, recorrendo a um modismo chinês que se refere à primeira pessoa a se arriscar com algo novo.
Além disso, a fonte destacou que não há escassez de petróleo, dado que as exportações da Arábia Saudita, Kuwait e Iraque estão em aumento.
Também não está claro quais bancos poderiam fornecer financiamento e compensação para as operações, nem se o Irã possui capacidade de transporte marítimo para entregar as cargas, acrescentou a fonte.
As refinarias asiáticas, incluindo as chinesas, estão bem abastecidas apesar das interrupções no fornecimento do Oriente Médio causadas pela guerra, graças ao fato de terem garantido carregamentos provenientes da África Ocidental, Brasil e Rússia.
Espera-se que os envios dos fornecedores do Golfo no Oriente Médio se recuperem com a reabertura do Estreito de Ormuz sob o acordo de paz provisório.
As cargas de petróleo iraniano aceleraram, atingindo cerca de 1,6 milhão de barris por dia entre 19 e 24 de junho, em comparação com 340.000 barris diários durante os primeiros 18 dias de junho e 370.000 barris diários de maio, de acordo com a empresa de rastreamento de navios-tanque Vortexa.
Também é improvável que as empresas estatais retomem a compra de petróleo iraniano devido à fraca demanda interna, apontou um segundo funcionário petrolífero estatal, já que as quedas no consumo chinês de combustível e produtos petroquímicos superaram os recentes cortes nas importações de petróleo e no processamento das refinarias do país.
Por enquanto, as refinarias independentes chinesas, conhecidas como "teapots", continuam sendo os principais compradores de petróleo iraniano, operando através de um grupo de intermediários pouco conhecidos e liquidando a maioria de suas compras em yuans chineses.
Entre as grandes petrolíferas estatais, a Sinopec poderia se destacar como a compradora mais disposta, já que esta refinaria - que já foi o maior cliente individual de Teerã - enfrentou cortes mais profundos em seu fornecimento de petróleo e precisa repor estoques após ter que recorrer às suas reservas comerciais desde maio, apontaram duas das três fontes chinesas.
A Sinopec realizou consultas à National Iranian Oil Co (NIOC) sobre possíveis compras sob a isenção prévia de 30 dias em março, antes de decidir descartá-las devido ao prazo ser muito apertado para concretizar uma transação, afirmou um funcionário do setor próximo à companhia iraniana.
A NIOC, que possui equipes de comercialização tanto em Pequim quanto em Xangai, prevê um renovado interesse por parte das refinarias estatais nos próximos dias, acrescentou o funcionário.
A NIOC será a única parte contratual para o petróleo sob a isenção e a mistura ESPO, o principal tipo de petróleo de exportação da Rússia, será utilizada como referência de preços para as discussões de possíveis novos acordos, acrescentou o funcionário.

