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Quatro navios mudaram de rumo no Mar Vermelho na quarta-feira, 22 de julho, dois dos quais definiram o Canal de Suez como seu novo destino. Isso ocorreu depois que a milícia houthi do Iêmen advertiu as embarcações a evitar navegar para portos sauditas, conforme mostraram dados de rastreamento marítimo.
Os houthis, alinhados com o Irã, declararam na segunda-feira, dia 20, um bloqueio naval contra a Arábia Saudita, abrindo uma nova frente potencial contra os Estados Unidos em sua guerra com o Irã e elevando a ameaça ao comércio marítimo e ao suprimento global de energia além do Golfo.
"A ameaça de ações hostis por parte dos houthis contra a Arábia Saudita começou a ter um impacto geral na atividade dos navios-tanque", observou a corretora marítima Clarksons em uma nota.
"Existem relatos de vários petroleiros que, após terem carregado no porto saudita de Yanbu, no Mar Vermelho, mudaram seu curso em direção ao Canal de Suez em vez de navegar para o sul, rumo ao estreito de Bab el-Mandeb, enquanto outros mantêm suas posições à espera de novas instruções", acrescentou.
As embarcações ligadas a Israel, aos Estados Unidos ou à Arábia Saudita correm maior risco de serem atacadas pelos houthis, por isso são aconselhadas a evitar navegar através do Mar Vermelho e do Golfo de Áden até que o nível de ameaça diminua, advertiu recentemente a missão naval europeia Aspides em uma circular consultada pela Reuters.
Qualquer navio que tenha feito escala, carregado ou descarregado mercadorias recentemente em portos sauditas deveria "reduzir sua pegada eletrônica minimizando as transmissões de AIS e limitando qualquer informação digital de acesso público que pudesse facilitar sua localização como alvo", informou o comunicado.
Os quatro petroleiros mudaram de rumo e dois deles definiram como destino águas abertas no Mar Vermelho, de acordo com os dados de rastreamento da LSEG e MarineTraffic, bem como análises do grupo britânico de gestão de riscos marítimos Vanguard.
Uma quinta embarcação, um navio de transporte de veículos chamado Liu Jiang Kou, pareceu ter dado meia-volta no Golfo de Áden nesta quarta-feira, dia 22, após indicar o porto saudita de Jeddah, no Mar Vermelho, como seu próximo destino, conforme mostraram os dados de navegação.
Três petroleiros carregados com petróleo saudita com destino à China e à Índia deram a volta no Mar Vermelho na terça-feira, dia 22, dirigindo-se para o Canal de Suez em vez de desafiar o perigo nas costas iemenitas. Um desses navios-tanque era o Xin Long Yang, gerenciado pela Cosco Shipping Lines.
O fechamento da passagem sul do Mar Vermelho eliminaria uma alternativa crítica ao estreito de Ormuz para a Arábia Saudita e aumentaria os temores de desabastecimento.
"Este embargo (houthi) levanta sérias questões sobre a viabilidade das rotas para o leste a partir do porto saudita de Yanbu, a via de saída de seu oleoduto leste-oeste", observou a corretora marítima Braemar em outra nota.
Vários petroleiros continuavam visíveis perto da área de fundeio de Yanbu na quarta-feira, dia 22, conforme mostraram os dados de rastreamento marítimo.
O tráfego no Mar Vermelho não se recuperou completamente desde que os ataques houthis começaram na costa do Iêmen em novembro de 2023, no que o grupo classificou como um ato de solidariedade com os palestinos na guerra de Gaza. Os ataques do grupo contra navios mercantes só cessaram após o cessar-fogo em Gaza em outubro passado.
Os houthis advertiram as companhias de navegação para não carregarem ou descarregarem mercadorias em portos da Arábia Saudita, ou poderiam se tornar alvo de seus ataques. Fontes de segurança marítima, entretanto, afirmaram ter recebido gravações com advertências independentes dos houthis dirigidas a embarcações no Mar Vermelho desde segunda-feira.
"Eles advertem todos os navios que pretendem se dirigir a portos sauditas de que se tornarão alvos abertos", declarou uma fonte do setor marítimo que recebe atualizações de um navio no Mar Vermelho.

