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Três dos principais terminais de grãos da Rússia no Mar Negro restringiram o recebimento de cereais em caminhões. A medida responde ao aumento dos riscos para a navegação e ao maior fluxo de carga decorrente das limitações aplicadas no Mar de Azov, conforme informaram cinco fontes do setor à Reuters.
A Rússia, o maior exportador mundial de trigo, restringiu a passagem de navios pelo Mar de Azov após ataques de drones ucranianos contra vários graneleiros nessa rota, por onde transita cerca de um quarto de suas remessas para o exterior.
As autoridades desviaram para os terminais de águas profundas do Mar Negro - por meio de transporte rodoviário e ferroviário - o grão proveniente das férteis regiões do sul, que anteriormente era enviado através do Mar de Azov.
No entanto, os ataques contra os portos do Mar Negro também aumentaram. "Os riscos aumentaram e cada vez menos pessoas estão dispostas a assumir riscos imprudentes", disse uma das fontes.
Os três terminais que restringiram as entregas por via terrestre são Novorossiyskiy Zernovoy Terminal (NZT), Kombinat Stroykomplekt (KSK) e Zernovoy Terminalnyy Kompleks (ZTKT), que têm capacidade para embarcar mais de 20 milhões de toneladas de cereais por ano. No total, as exportações marítimas de grãos da Rússia giram em torno de 50 milhões de toneladas anuais.
Os dois terminais de Novorossiysk aceitam grãos transportados por ferrovia, mas esse tipo de envio só é possível a partir das regiões do sul da Rússia, disse uma das fontes.
Cerca de um terço dos cereais gerenciados por ambas as instalações chega em caminhões, enquanto o terminal ZTKT recebe mercadorias exclusivamente por via terrestre. Esses terminais abastecem os principais compradores de grãos russos, incluindo Egito e Turquia.
O Porto de Kavkaz, utilizado para transbordar grãos de embarcações pequenas no Mar de Azov para navios de maior calado, foi fechado quase imediatamente após a imposição de restrições à navegação nessa área em 10 de julho, indicaram fontes à Reuters.
A Rússia proibiu o movimento noturno de embarcações de entrada e saída no recinto portuário de Novorossiysk há uma semana devido aos ataques de drones, medida que permanece em vigor, acrescentou outra fonte.
As fontes indicaram que a Rússia busca diversificar ainda mais suas exportações, e prevê-se que os portos da região do Báltico sejam uma prioridade no futuro próximo por serem a rota alternativa mais segura.
A rota do Mar Cáspio também representa uma opção, indicaram as fontes, embora seja utilizada principalmente para os envios para o Irã e os riscos na zona também estejam aumentando devido à guerra no Oriente Médio e, mais recentemente, ao ataque ucraniano contra um navio iraniano.
Segundo as fontes, os envios através do Mar Cáspio não aumentaram desde meados de julho.

