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Os recentes temporais que afetaram o Chile, além de gerar situações de emergência e necessidades humanas e econômicas, puseram à prova - mais uma vez - nossa infraestrutura logística, especialmente no norte.
E embora este setor tenha demonstrado uma importante resiliência, reagindo com agilidade para redirecionar envios, mobilizar equipes e pessoal e improvisar soluções, isso não tem sido suficiente para cobrir a fraqueza de nossa rede logística: quando a Rota 5 é interrompida, o país fica virtualmente dividido em dois.
Nesse contexto e em momentos em que pouco a pouco se volta à normalidade, essa fragilidade nos chama a extrair lições claras e transformá-las em políticas públicas e estratégias privadas de longo prazo.
Para mencionar as principais lições, está claro que não podemos continuar confiando o fluxo de insumos críticos a um único corredor terrestre. É urgente avançar no asfaltamento, ampliação e fortalecimento de rotas secundárias e vias pré-cordilheiras que possam operar como desvios eficazes. A redundância viária não é um custo dispensável; é um seguro de continuidade operacional para o comércio, a indústria e, sobretudo, para o bem-estar da cidadania.
Outro problema é a alta concentração de nós logísticos na Região Metropolitana, o que gera um gargalo sistêmico. Promover a criação de novos centros de distribuição regionais diversificados —dotados de estoques de segurança para insumos de primeira necessidade— reduz substancialmente o risco de desabastecimento. Se as vias terrestres falharem por dias, as regiões devem contar com autonomia logística suficiente para sustentar a demanda local.
Também deveríamos considerar que as costas chilenas são atualmente um recurso estratégico subutilizado diante de emergências terrestres. A via marítima deveria ser o respaldo natural diante do colapso das rodovias. Para isso, é indispensável acelerar a revisão e flexibilização da Lei de Cabotagem, permitindo que em momentos de força maior o transporte de carga entre portos nacionais seja dinamizado sem entraves burocráticos. Um sistema marítimo flexível atuaria como uma verdadeira autoestrada marinha quando a terra ceder.
Além disso, nas situações mais críticas, onde o tempo determina a salvaguarda de vidas ou o rápido fornecimento de insumos médicos e água potável, a aviação comercial e de carga representa a última linha de defesa. É necessário protocolar planos de contingência para a ativação imediata de pontes aéreas, juntamente com o fortalecimento da infraestrutura em aeródromos e aeroportos regionais.
A resiliência logística no Chile não deve ser medida apenas pela rapidez com que desobstruímos uma rodovia destruída, mas pela capacidade de nosso sistema de continuar funcionando apesar de essa rodovia não estar disponível. A integração público-privada, o uso inteligente da multimodalidade e uma visão prospectiva do território são os alicerces sobre os quais devemos edificar a logística do futuro.

