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Em um cenário de crescimento sem precedentes da infraestrutura digital mundial, a Autoridade Marítima do Panamá (AMP) desempenha um papel estratégico para garantir que o país continue a se consolidar como um dos principais centros de conectividade da América Latina.
Enquanto o investimento global em novos sistemas de cabos submarinos superará os 16 bilhões de dólares entre 2026 e 2029, de acordo com a empresa especializada TeleGeography, a instituição zela pelas condições técnicas, operacionais e de segurança que tornam possível a instalação e proteção desta infraestrutura crítica para as telecomunicações internacionais.
TeleGeography projeta que esta será uma das maiores ondas de investimento em cabos submarinos das últimas décadas, impulsionada pela crescente demanda por serviços em nuvem, inteligência artificial, centros de dados e o aumento sustentado do tráfego mundial de informações.
Neste contexto, a AMP avalia tecnicamente as rotas propostas para a instalação de novos cabos submarinos, verifica sua compatibilidade com outras atividades marítimas, supervisiona as operações de lançamento, atualiza a cartografia náutica e coordena ações para proteger as áreas onde esta infraestrutura está localizada.
Embora as concessões administrativas para a instalação de cabos submarinos sejam concedidas pelo Ministério da Economia e Finanças, a Autoridade Marítima do Panamá desempenha um papel essencial ao garantir que esses projetos cumpram os critérios de segurança da navegação e proteção do espaço marítimo nacional.
Atualmente, sete sistemas de cabos submarinos atravessam águas jurisdicionais panamenhas, consolidando o país como um nó estratégico para a conectividade regional. De acordo com a ProPanamá, esta infraestrutura suporta 100% do tráfego regional de internet, 97% do tráfego telefônico internacional e 90% da transmissão regional de dados, fatores que fortalecem a competitividade do país para atrair investimentos em centros de dados e empresas de tecnologia.
O crescimento desta rede continua. No início de 2026, o sistema TAM-1 chegou ao Panamá, um cabo submarino de aproximadamente 7.000 quilômetros e capacidade de até 650 terabits por segundo (Tbps) que conectará o país aos Estados Unidos, América Central e Caribe. Além disso, o Panamá será ponto de aterragem do futuro sistema MANTA, um novo projeto que ligará o país aos Estados Unidos, México e Colômbia, fortalecendo ainda mais seu papel como ponte digital do continente.
A proteção desta infraestrutura também representa um desafio permanente. Entre 2008 e 2019, incidentes registrados em águas panamenhas causaram perdas superiores a 11 milhões de dólares, principalmente por danos provocados pelo fundeio de embarcações sobre os cabos submarinos. Para reduzir esses riscos, a AMP mantém mecanismos de avaliação técnica, coordenação interinstitucional e proteção das rotas onde esta infraestrutura crítica opera.
A crescente demanda mundial por capacidade para o intercâmbio de dados reforça a importância do trabalho realizado pela Autoridade Marítima do Panamá. Através da regulamentação, supervisão e proteção dos cabos submarinos, a instituição contribui para fortalecer a segurança marítima e a posição do Panamá como um dos principais pontos de interconexão digital da região.

