
Com cerca de 1.602 quilômetros de extensão entre Manaus e a Barra Norte, na foz do Rio Amazonas, a Hidrovia Verde conecta o escoamento da produção e o abastecimento nos estados do Amazonas, do Pará e do Amapá. O corredor é responsável pelo transporte de grãos, minérios, combustíveis, fertilizantes, veículos, máquinas e cargas em contêineres pela região.
Sementes e frutos oleaginosos, grãos, cereais, minérios e fertilizantes estão entre os produtos transportados como granéis sólidos. No grupo de granéis líquidos e gasosos estão combustíveis, óleos minerais e produtos químicos.
Entre as cargas gerais estão automóveis, tratores, semirreboques, ferro fundido, aço, máquinas e aparelhos elétricos. A variedade de mercadorias mostra a importância da hidrovia para o transporte de insumos e equipamentos, o escoamento da produção e o abastecimento regional.
A distribuição de combustíveis é um exemplo da integração logística entre os estados. Segundo a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), a maior parte do diesel que abastece o Amapá tem origem no Pará.
No Amazonas, o transporte de produtos destinados a Manaus e ao interior exige operações adaptadas às condições dos rios. A ANP identifica Itacoatiara, a Enseada do Madeira e o Tabocal entre os pontos críticos para a navegação e para a logística de abastecimento da região.
Em períodos de restrição de calado, podem ser necessárias operações de alívio e transbordo. Nesses procedimentos, parte da carga é transferida entre embarcações para permitir a passagem por trechos com menor profundidade.
Segundo a Secretaria Nacional de Hidrovias e Navegação (SNHN), o Canal do Tabocal e a Foz do Madeira estão entre os principais gargalos identificados no corredor. As condições de navegação nesses trechos interferem na programação das viagens e na capacidade de transporte, especialmente durante a estiagem.
O Ministério de Portos e Aeroportos (MPor), em parceria com a Agência Nacional de Transporte Aquaviário (Antaq), estrutura o projeto de concessão da Hidrovia Verde. Os estudos avaliam intervenções e serviços para melhorar as condições de navegação e dar mais previsibilidade ao transporte pelo corredor.
O projeto da Hidrovia Verde conta com um diagnóstico preliminar. A primeira proposta de modelagem da concessão será construída com contribuições das reuniões participativas conduzidas pela Antaq, que abordam aspectos ambientais, de engenharia e de mercado.
Nessa etapa, serão definidas as intervenções e os serviços, além dos parâmetros de navegação previstos para o corredor.

