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O gerente geral do Terminal Portuário Paracas (TPP), César Rojas, comenta o impacto imediato que a entrada da Terminal Investment Limited (TiL) como nova proprietária da concessionária teve. E adianta que já se avalia solicitar uma ampliação do prazo do contrato de concessão.
Foto: SEMANAeconómica
Que investimentos a TiL prevê após comprar a TPP, em um negócio reportado em exclusividade pela SEMANAeconómica (SE1989)?
Quero esclarecer que o porto não foi vendido, como foi dito em outros lugares. A concessão foi vendida. O porto continua sendo do Estado e continuamos regulados. O novo acionista permitirá acelerar investimentos que de outra forma não teriam ocorrido agora. Tínhamos previsto para os próximos dois anos um investimento de cerca de US$35 milhões; hoje, está subindo para US$70 milhões. O porto tem muito potencial.
Os acionistas anteriores estavam procurando vender a TDP?
A concessão foi comprada, não vendida. Houve um convite [da TiL] para vender. Também de outros licitantes. Mas quem satisfez as expectativas foi a TiL.
A que se destinarão os US$70 milhões?
No início do ano compramos um guindaste STS (de cais) e três guindastes RTC (de pátio). Em abril adicionamos um segundo guindaste de cais e mais dois de pátio. Em agosto de 2027, com os sete guindastes já operacionais, o Porto de Paracas terá as mesmas capacidades que o Porto do Callao. Os guindastes multiplicarão por dois a produtividade.
Quantos TEU esperam movimentar em 2027?
Em 2025 movimentamos 90.000 TEU. Este ano será um número similar. Não podemos atender mais, mesmo que quiséssemos. Em 2027 podemos chegar a 120.000 TEU, com os guindastes operacionais a partir de agosto. E em 2028 devemos estar ultrapassando os 150.000 TEU. Há demanda.
Que porcentagem do compromisso de investimento com o Estado o Terminal Portuário Paracas terá executado até o final de 2027?
Com o guindaste de cais e dois dos três guindastes de pátio que encomendamos em janeiro, já cumprimos com os investimentos obrigatórios de toda a concessão em 12 anos. Mas, por contrato de concessão, devemos cumprir com investimentos complementares de US$80 milhões. Esses os teremos executados mais ou menos até o final de 2027. Deveríamos iniciar 2028 sem nenhum compromisso contratual de investimento com o Estado.
Em que consistem esses investimentos complementares?
O cais tem 700 metros. A única maneira de ter mais carga é aumentar a produtividade. Para isso traremos 4 pás carregadeiras, 9 caminhões de contêineres, 5 caminhões para carga a granel e 1 correia para o embarque da pedra de ferro. Vamos aumentar para 500 pontos de eletricidade o terminal e desenvolveremos um depósito para contêineres vazios. Além disso, estamos fazendo um segundo acesso ao porto com tecnologia. E estamos insistindo com a alfândega na instalação de um scanner para determinar o que há em todos os contêineres refrigerados que entram no porto. Até o final do ano deveríamos tê-lo.
Poderia ser ampliada a área de concessão?
Sim, há uma área ao lado da concessão. São aproximadamente 350 metros lineares de cais. Quase a metade do cais atual.
Podem fazê-lo sem prorrogar o prazo da concessão?
Poderíamos, mas demanda um investimento aproximado de US$100 milhões. Não podemos diluir esse valor nos 17 anos que restam de concessão, mas sim em 47 anos. E não só faríamos esse investimento. Há muitas coisas a fazer, mas obviamente precisamos da ampliação e das licenças ambientais, que certamente serão tão complicadas quanto no início. Esperemos que o Estado seja um pouco mais sensato em questões de licenças ambientais. Temos 12 anos operando sem gerar danos ou afetar o meio ambiente.
Solicitarão ampliar o prazo da concessão por 30 anos adicionais?
A gerência propôs isso aos novos acionistas. É necessário fazê-lo o mais rápido possível para implantar mais investimentos e não gerar um novo Callao. Os acionistas estão avaliando. O que acontece é que não somos os únicos. A TiL opera mais de 70 portos no mundo, acabaram de comprar um em Guayaquil e outro no México.
O que acontecerá com os investimentos que realizarem depois de 2028?
São investimentos discricionários. As compras poderiam ser reconhecidas ou não pelo Estado, mas também podemos alugar. O compromisso oficial com o Estado sobre o qual se ganhou o contrato de concessão termina em dezembro de 2027 ou janeiro de 2028. Em 13 anos de concessão, conseguimos cumprir com nossas obrigações. Conseguimos recuperar um negócio a ponto de ser apetecível para um acionista do porte da TiL.
A chegada da TiL trouxe mudanças no modelo de gestão do porto?
Somos um porto stand alone. Reportamos à TiL, mas ela não intervém na operação. A MSC [a companhia marítima e acionista controladora da TiL] é mais um cliente, assim como a Maersk. Temos um modelo de gestão, quase boutique, que deu resultados. Para nós é extremamente importante a relação próxima com nossos clientes.
É possível manter esse modelo boutique quando o volume de carga do porto praticamente vai duplicar?
Se a filosofia de gestão for mantida, sim. Por um lado, é importante que nossos parceiros comerciais sintam que são nossa prioridade. Que acreditem e confiem no porto. E por outro, que nossa gente cresça. 90% de nossos trabalhadores são de Pisco e se sentem super orgulhosos de seu porto. Para nós o porto não é concreto, não são guindastes nem ferros. O porto é gente. Essa é a grande diferença que temos com outros portos do país.
@SemanaEconomica