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A entrega das barcaças de desembarque Selknam e Manutara para o Projeto Escotillón IV da Marinha do Chile constitui muito mais do que a culminação bem-sucedida de uma obra de engenharia naval. Representa um sinal concreto do que nosso país é capaz de alcançar quando o setor público e a indústria privada trabalham de forma coordenada em torno de objetivos estratégicos comuns.
A construção naval é uma atividade com um efeito multiplicador significativo. Cada projeto mobiliza por anos centenas de trabalhadores, engenheiros, técnicos, fornecedores e empresas de serviços especializados. Além disso, impulsiona processos de transferência tecnológica, fomenta a inovação e fortalece cadeias de suprimentos regionais que geram valor muito além dos estaleiros.
Por isso, valorizamos a implementação da Política Nacional Contínua de Construção Naval, já que pela primeira vez o Chile reconhece explicitamente esta indústria como um setor estratégico para o desenvolvimento nacional, o que representa um avanço histórico, pois permite projetar uma visão de longo prazo para uma atividade que combina capacidades industriais, inovação, geração de empregos de qualidade e desenvolvimento territorial.
No entanto, é fundamental transformar essa visão em instrumentos concretos que permitam acelerar o crescimento do setor. A experiência internacional demonstra que as indústrias navais bem-sucedidas se desenvolvem com base em capacidades técnicas, mas também graças a mecanismos financeiros que facilitam projetos de grande escala e longos períodos de execução.
É fundamental avançar em ferramentas que permitam fechar essa lacuna, entre elas o projeto que cria a Agência de Financiamento e Investimento para o Desenvolvimento (AFIDE), que pode desempenhar um papel significativo no fortalecimento de vários setores estratégicos para o país.
A recente lançamento do navio multipropósito LPD Magallanes da Marinha é também um sinal encorajador do que o Chile pode alcançar para consolidar uma indústria naval competitiva, inovadora e capaz de se projetar internacionalmente.
Hoje temos uma oportunidade histórica para fortalecer nossa base industrial, gerar empregos especializados, impulsionar a inovação e projetar nosso país como uma potência marítima de acordo com sua geografia, sua tradição e suas capacidades. O desafio agora é manter o rumo e converter essa visão em uma realidade permanente para as próximas décadas.

