• 3 min de lectura
• 3 min de lectura

O coordenador geral do Programa de Desenvolvimento Logresso (PDL) do Ministério dos Transportes e Telecomunicações (MTT), Antonio Dourthé, descartou o plano que busca reativar a conexão ferroviária entre Chile e Argentina pela zona central, especificamente entre a Região de Valparaíso e Mendoza, apontando para uma falta de demanda.
A iniciativa prevê um investimento de USD 9,6 bilhões para estabelecer um túnel de 54 quilômetros sob a cordilheira, entre Uspallata e Los Andes, oferecendo uma nova saída para o Pacífico para a produção sul-americana. O projeto, denominado Corredor Bioceânico Longotoma, considera infraestrutura para o transporte de cargas e passageiros e busca posicionar-se como uma alternativa logística para conectar Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai com os mercados da Ásia.
No âmbito do Congresso Trenes y Metro 2026, Dourthé explicou ao PortalPortuario que "por enquanto não existe a demanda que o justifica - a iniciativa -, sobretudo, porque é um projeto muito complexo do ponto de vista da engenharia. Não é que nós nos neguemos aos projetos, mas estamos tentando avançar com aqueles que são mais viáveis e que possamos concretizá-los no menor tempo possível e, sobretudo, de forma oportuna".
O coordenador geral do PDL aprofundou sua abordagem e assinalou que "se nós chegarmos com a ferrovia quando já se solucionaram por outros meios a saída, por exemplo, de produtos minerais, aí perdemos".
Dourthé reiterou a importância de contar com as projeções de demanda adequadas que permitam identificar os desafios a serem trabalhados para impulsionar o setor ferroviário de carga. Da mesma forma, o engenheiro civil situou as capacidades da ferrovia para ingressar nos portos chilenos como um ponto pendente a ser revisado.
"O primeiro é ter um desenvolvimento das projeções de demanda. Tendo isso, sabemos quais são as lacunas. Temos lacunas na área portuária, que estamos cobrindo com as licitações portuárias e, depois disso, é preciso ver as capacidades ferroviárias para chegar aos portos", indicou.
"Temos uma grande sorte, estamos chegando aos portos de Iquique, Mejillones, Antofagasta, então há possibilidade e potencialidade de chegar com as vias férreas. Agora, o que temos que ver é se precisamos de mais capacidade desde o ponto de origem do produto ao trânsito para o ponto de destino, que seriam os portos", assinalou o coordenador geral.
"A ideia é ir vendo periodicamente como isso se desenvolve e, sobretudo, com trabalhos já mais pontuais de planos regionais que permitam ver em detalhe o que precisamos analisar", expressou Antonio Dourthé.

