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A pressão para reduzir emissões e acelerar a eficiência operacional começou a modificar o tipo de investimentos nos portos mexicanos. Em Veracruz, a Hutchison Ports ICAVE decidiu avançar nessa rota com um investimento superior a 62.8 milhões de pesos (3.6 milhões de dólares) focado na eletrificação e automação de parte de suas operações internas, uma estratégia que também reflete como os operadores portuários buscam responder a maiores exigências logísticas sem perder competitividade.
O terminal incorporou seis novos Autonomous Trucks para o transporte horizontal de contêineres dentro do recinto portuário, equipamentos que se somam a outras seis unidades previamente operacionais, com o que a frota autônoma já atinge 12 veículos sem motorista. O investimento destinado exclusivamente a esta expansão ascendeu a aproximadamente 32.5 milhões de pesos (1.9 milhões de dólares).
Além da incorporação tecnológica, o movimento também evidencia a aposta do terminal em automatizar processos considerados críticos dentro da operação portuária, particularmente aqueles relacionados à mobilidade interna de contêineres, onde a continuidade operacional, a precisão de manobra e a redução de incidentes começam a ganhar peso em relação aos modelos tradicionais intensivos em equipamentos a diesel e mão de obra operacional.
A estratégia incluiu ainda a aquisição de três Reach Stackers elétricos para manuseio de contêineres cheios e duas trato-planas elétricas, máquinas destinadas a substituir equipamentos a diesel convencionais. No caso dos Reach Stackers, o investimento superou os 25 milhões de pesos (1.4 milhões de dólares), enquanto as trato-planas representaram cerca de 5.3 milhões de pesos (290 mil dólares).
A incorporação desses equipamentos ocorre em um momento em que os portos enfrentam uma dupla pressão: aumentar a capacidade para atender a maiores fluxos de comércio exterior e, ao mesmo tempo, responder a compromissos ambientais cada vez mais rigorosos impulsionados tanto por clientes globais quanto por cadeias logísticas internacionais.
"A incorporação de equipamentos elétricos e autônomos faz parte de uma transformação integral de nossa operação. Não buscamos apenas maior eficiência, mas avançar em direção a um modelo portuário mais limpo, inovador e preparado para os desafios logísticos e ambientais das próximas décadas", afirmou Javier Rodríguez Miranda, gerente geral da Hutchison Ports ICAVE, citado em um comunicado de imprensa.
O diretor adiantou que os novos Autonomous Trucks iniciarão operações formais em junho de 2026 e que o terminal planeja integrá-los posteriormente a operações ferroviárias, um componente que poderia ampliar o alcance da automação dentro do porto de Veracruz e fortalecer a conexão intermodal do terminal.
A empresa estima que esta transição tecnológica permitirá reduzir aproximadamente 58% das emissões de CO₂ em comparação com o uso de equipamentos a diesel convencionais. Segundo cálculos operacionais do terminal, seis trato-planas a diesel geram cerca de 58.5 toneladas de CO₂, enquanto seis Autonomous Trucks 100% elétricos produzem cerca de 24.3 toneladas.
A aposta faz parte da estratégia global NET Zero da Hutchison Ports, que contempla reduzir 54.6% das emissões absolutas de Gases de Efeito Estufa (GEE) de escopo 1 e 2 até 2033, tomando como referência os níveis de 2021. O grupo também estabeleceu como meta alcançar emissões líquidas zero em toda a sua cadeia de valor até 2050.
O contexto operacional também não é menor. De acordo com números da Administração do Sistema Portuário Nacional (Asipona) Veracruz, o porto movimentou durante 2025 cerca de 1.3 milhões de TEU (contêineres de 20 pés) e mais de 30 milhões de toneladas de carga, consolidando-se como um dos nós logísticos mais relevantes do país e o principal porto do golfo do México em movimentação de contêineres.
Nesse ambiente, a automação e eletrificação começam a se perfilar não apenas como uma aposta ambiental, mas como uma ferramenta para sustentar produtividade, disponibilidade operacional e capacidade de resposta diante de cadeias logísticas cada vez mais exigentes e especializadas.

