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O Complexo Portuário Industrial de Suape iniciou uma nova fase de estudos para avaliar a implementação de um sistema de fornecimento de energia renovável para navios atracados. Conhecida como Fornecimento de Energia em Terra (OPS, na sigla em inglês), esta tecnologia permite que os navios compatíveis se conectem à infraestrutura elétrica terrestre e desliguem seus motores auxiliares enquanto estão no porto.
Mesmo atracados, os navios precisam gerar energia para manter a iluminação, refrigeração, ventilação, comunicações e outros sistemas essenciais. Atualmente, essa demanda é normalmente coberta por geradores a bordo alimentados por combustíveis fósseis. Com o OPS, a eletricidade fornecida a partir de terra poderia substituir essa geração, contribuindo para reduzir as emissões de gases de efeito estufa e outros poluentes, bem como para diminuir o ruído e as vibrações nas áreas operacionais.
"Estamos preparando Suape para se adaptar às mudanças que já estão ocorrendo no transporte marítimo mundial. O estudo nos permitirá avaliar a viabilidade do projeto e planejar a infraestrutura necessária para oferecer este serviço no futuro, conciliando a eficiência operacional com a redução de emissões", afirmou o CEO de Suape, Armando Monteiro Bisneto.
Os estudos avaliarão a demanda energética dos navios que operam em Suape, o tempo médio de permanência para as operações de carga e descarga, a compatibilidade dos navios e as adaptações necessárias nos cais e na rede elétrica. Também serão analisados os investimentos, os modelos econômicos, as possibilidades de colaboração e uma possível implementação por fases, em função da demanda das companhias de navegação.
Entre as estruturas que poderiam ser necessárias estão subestações, sistemas de transformação e controle, pontos de conexão e cabos de alta capacidade.
"O sistema OPS permite substituir, durante a atracação, a geração de energia a bordo por eletricidade fornecida pelo porto. Estamos aprofundando nossos estudos para identificar a solução mais adequada às características de Suape e determinar sua escala de implementação, considerando aspectos técnicos, ambientais e econômicos", explicou o Diretor de Sustentabilidade e Inovação, Sóstenes Alcoforado.
Estudo da Antaq
O Diagnóstico sobre a Descarbonização no Setor Portuário, que analisa a adequação dos portos brasileiros para receber navios com combustível verde, produção de energia eólica e a eletrificação de equipamentos e sistemas OPS, aponta desafios para a expansão desta tecnologia no país. Entre eles estão a necessidade de uma infraestrutura elétrica capaz de satisfazer diferentes níveis de potência e frequências, os custos de implementação, a adaptação física dos cais e a ainda baixa demanda dos grandes navios.
Elaborado pela Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) em 2025, o documento indica que a preparação prévia da infraestrutura pode ser uma oportunidade estratégica para os portos brasileiros, especialmente dado o potencial nacional para a geração de energia renovável.
Na Europa, esta tecnologia já faz parte da infraestrutura dos principais portos. Hamburgo, Alemanha, fornece energia de fontes renováveis aos navios atracados e mantém sistemas para cruzeiros e porta-contêineres; a primeira instalação entrou em funcionamento em 2016. Em Roterdã, Holanda, o sistema OPS (On-Ship Power Supply) também está se expandindo, com um projeto para equipar três terminais de contêineres de longa distância, que abrange oito quilômetros de cais e 35 pontos de conexão.
No Brasil, a tecnologia ainda se encontra em suas primeiras etapas para grandes navios. Em Suape, a finalização dos estudos permitirá definir a configuração mais adequada, os cais prioritários, os investimentos necessários, as possibilidades de colaboração e o cronograma de implementação. Esta iniciativa faz parte dos esforços de transição energética e descarbonização do complexo e busca preparar a infraestrutura portuária para os novos requisitos ambientais e operacionais do transporte marítimo internacional.

