
Canal do Panamá encerra o ano fiscal de 2026 com mais trânsitos e carga recorde
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O Canal do Panamá encerrou o ano fiscal de 2026, que compreendeu o período de outubro de 2025 a setembro de 2026, com 13.951 trânsitos de navios, 4,1% a mais que os 13.404 registrados no ano fiscal de 2025. O crescimento foi impulsionado pelos segmentos energéticos e pelo sólido desempenho dos porta-contêineres, além de navios químicos e gaseiros, em um contexto de tensões geopolíticas no Oriente Médio.
Volume de carga
Em relação à tonelagem, o Canal do Panamá informou que foram alcançadas 521 milhões de toneladas CP/SUAB, um incremento de 6,5% em comparação aos 489,2 milhões do ano fiscal anterior, cifra que a autoridade panamenha descreveu como recorde e que supera o máximo anterior de 518 milhões de toneladas estabelecido no ano fiscal de 2022. As eclusas Neopanamax responderam por mais da metade dessa tonelagem (52,2%), com uma alta de 8,2% em relação ao ano anterior. Outra medição citada por veículos locais situou o incremento da carga transportada em 7%, atingindo 280,6 milhões de toneladas longas.
Impacto do fechamento de Ormuz
A administradora do Canal do Panamá, Ilya Espino de Marotta, explicou que o resultado se deveu, em parte, a um “boom” no trânsito de navios gerado pelo fechamento do estreito de Ormuz, por onde, antes do conflito no Oriente Médio, passava 20% do petróleo e do gás natural liquefeito mundial. Em decorrência desse fechamento, o Canal elevou de 36 para 41 os trânsitos diários durante um período, a fim de facilitar a passagem de navios que buscavam uma rota alternativa para o transporte de produtos energéticos.
Efeito da seca
Apesar desse impulso, a via interoceânica precisou reduzir progressivamente os trânsitos diários desde o início de setembro, de 36 para 32, devido à escassez de chuvas associada ao fenômeno El Niño, embora posteriormente os tenha elevado para 33 diante de uma retomada das precipitações. Espino de Marotta destacou que o impacto do El Niño só se tornou significativo nos últimos quatro meses do ano fiscal, e ressaltou que o Canal conseguiu manter um calado máximo de 50 pés durante toda a estação seca, o que permitiu oferecer condições operacionais favoráveis aos usuários.
Resultados financeiros e projeções
O Canal do Panamá reportou receitas totais de 6.600 milhões de balboas no ano fiscal de 2026, 16,6% a mais que no exercício anterior, valores que a entidade indicou ainda precisarem ser auditados. Além disso, anunciou o restabelecimento do serviço de “Reservas de Última Hora” para navios que utilizam as eclusas Panamax. De cara ao ano fiscal de 2027, a via interoceânica busca manter seu nível de atividade e fortalecer sua capacidade operacional para garantir a continuidade do trânsito marítimo na região.



