
Carteira global de encomendas navais se aproxima de recorde histórico e China lidera com 74%
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A carteira global de encomendas dos estaleiros atingiu um valor estimado de 203,2 milhões de toneladas brutas compensadas (CGT) em 1º de setembro de 2026, segundo uma análise da BIMCO divulgada por seu analista-chefe, Niels Rasmussen. O número representa um aumento de 13% em relação aos 180 milhões de CGT registrados um ano antes, e fica apenas abaixo do máximo histórico de 210,4 milhões de CGT atingido em maio, embora acima do recorde anterior de 195,4 milhões de CGT de 2008. A China foi a grande beneficiária desse crescimento, ao capturar 74% de toda a tonelagem contratada nos últimos doze meses.
Domínio chinês por setor
Com esse resultado, os estaleiros chineses controlam 64% da carteira de encomendas mundial, muito à frente da Coreia do Sul, com 19%, e do Japão, com apenas 6%. A liderança chinesa se estende aos seis principais segmentos de carga comercial - porta-contêineres, petroleiros, gaseiros, graneleiros, outros navios de carga seca e RoRo -, nos quais seus estaleiros detêm mais de 72% da carteira em cada categoria, segmentos que juntos representam 88% do total global. Os porta-contêineres são o motor do crescimento: respondem por 30% da tonelagem contratada e por 68% do aumento registrado no último ano, com a China ficando com 81% desse segmento específico.
Risco de sobrecapacidade
O volume de encomendas representa um desafio de entregas. Tomando como referência a produção anual máxima de cada país entre 2021 e 2025, os estaleiros chineses têm trabalho garantido por uma média de 4,2 anos, contra 1,9 ano na Coreia do Sul e 1,7 ano no Japão. As entregas combinadas de China, Coreia do Sul e Japão chegaram a 40,1 milhões de CGT em 2025, mas estão programadas em 55,9 milhões de CGT para 2027 e 60 milhões de CGT para 2028. A China enfrenta o salto mais acentuado, com uma entrega recorde prevista de 44 milhões de CGT em 2028, quase o dobro dos 22,7 milhões entregues em 2025. Rasmussen alertou que a expansão de capacidade necessária para cumprir esses compromissos pode resultar em subutilização caso o ritmo de novos contratos desacelere no futuro.
Outras métricas e novos participantes
Medida em toneladas brutas, a carteira de encomendas somava 9.699 navios e 435,8 milhões de GT no final de setembro, superando o recorde de 422 milhões de GT de outubro de 2008, embora esse volume equivalha atualmente a 24% da frota mundial, ante 52% de 18 anos atrás, devido ao crescimento geral da capacidade marítima. A escassez de espaço nos estaleiros tradicionais também está transformando o mercado de navios-tanque: segundo a Veson Nautical, 51 navios foram encomendados em 2026 em instalações que ingressam pela primeira vez nesse segmento, 34% a mais que em 2025, com onze dos dezesseis novos participantes sediados na China. O caso mais destacado é o da Hengli Shipbuilding, que entregou seu primeiro navio em 2024 e já acumula 495 unidades encomendadas - entre navios-tanque, graneleiros e porta-contêineres - avaliadas pela Veson em cerca de US$ 46 bilhões.



