
Confiabilidade do transporte marítimo cai para 27% em setembro de 2026
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A confiabilidade global dos cronogramas do transporte marítimo de contêineres caiu para 27% em setembro de 2026, segundo o Schedule Reliability Scorecard da Xeneta, marcando o quarto mês consecutivo de deterioração e uma queda de 2 pontos percentuais em relação a agosto, igualando o piso registrado em fevereiro. O atraso médio das chegadas subiu para seis dias, um aumento de 2,4 dias desde o início do segundo trimestre. A Xeneta atribuiu a deterioração aos efeitos acumulados de uma série de tufões que atingiram a Ásia entre julho e o início de setembro, somados à pressão dos custos de combustível e a uma forte demanda de alta temporada, e alertou que não se espera um piso firme em outubro.
Rotas da Ásia, as mais afetadas
A rota do Extremo Oriente para a Europa despencou para apenas 4% de pontualidade, com atraso médio de 9,9 dias, seu pior desempenho desde setembro de 2021, quando havia atingido 3% durante a pandemia. A rota do Extremo Oriente para a América do Norte se manteve estável em 20% de pontualidade, embora o atraso médio tenha subido 0,8 dia, para 6,9 dias. Paralelamente, as tarifas spot da China para a costa oeste dos Estados Unidos chegaram a US$ 7.717 por FEU no início de outubro, mais de quatro vezes os US$ 1.778 de setembro de 2025, enquanto as tarifas de contratos de longo prazo subiram 26% no mês, para US$ 3.649 por FEU em 1º de outubro.
Europa-América do Norte e América do Sul, em contraste
A rota da Europa para a América do Norte foi a mais confiável pelo segundo mês consecutivo, com uma melhora de 8 pontos percentuais, para 49% de pontualidade, o nível mais alto desde agosto de 2025, e o menor atraso médio entre todas as rotas, de 1,9 dia. As rotas da costa oeste e da costa leste da América do Sul foram as únicas que melhoraram em ambos os indicadores, com ganhos de 10 e 12 pontos percentuais, respectivamente, e reduções de até um dia no atraso médio.
Todas as armadoras, no pior nível de atraso
Todas as armadoras monitoradas registraram em setembro seu maior atraso médio dos últimos 12 meses, e quatro delas atingiram mínimas de 12 meses em pontualidade: CMA CGM com 30%, Cosco com 18%, Hapag-Lloyd com 45% e Yang Ming com 4%. A diferença entre a armadora mais e a menos confiável diminuiu para 43 pontos percentuais, ante 45 em agosto, já que a Maersk, a mais pontual do mês, caiu de 51% para 47%. A rede Gemini, da Maersk e da Hapag-Lloyd, caiu de 70% de pontualidade em junho para 40% em setembro, com uma taxa semanal que passou de 62% na primeira semana de agosto para 34% na semana de 28 de setembro, e dados parciais da semana de 5 de outubro que mostravam 28%.
Congestionamento em Singapura e Xangai
O congestionamento portuário se deslocou da China para o sudeste asiático: a fila média diária de navios em Singapura quase dobrou, de 12 para 22 embarcações, e o tempo de espera subiu de 1,9 para 3,1 dias. No sudeste asiático como um todo, a espera média chegou a 2,0 dias, com 23% dos navios em espera, enquanto a África continuou sendo a região mais congestionada, apesar de melhorar para 2,5 dias de espera com 32% dos navios aguardando. Em Xangai, a fila de fundeio diminuiu de 101 para 86 navios por dia, embora a espera média tenha se alongado de 1,9 para 2,7 dias. Diante disso, as armadoras cancelaram apenas 6% da capacidade planejada na rota Extremo Oriente-Europa e 8% na rota Extremo Oriente-América do Norte em setembro, mas anunciaram cortes de pelo menos 17% e 13%, respectivamente, para outubro, mês em que a capacidade planejada na rota para a Europa será a mais alta em uma janela de 22 meses.



