
Dia Mundial dos Fertilizantes: urge repor nutrientes e reduzir a dependência de importações
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- En el Día Mundial de los Fertilizantes, una advertencia repetida: Hay que producir más con menos tierra, pero la reposición de nutrientes sigue quedando corta
- Fertilizantes: Indústria alerta para gasto de R$ 1,4 tri com importação
- Indústria de fertilizantes alerta para dependência de importações e cobra fortalecimento da produção nacional
Todo dia 13 de outubro é celebrado o Dia Mundial dos Fertilizantes, data que relembra a descoberta de Fritz Haber em 1908 para sintetizar amônia a partir do nitrogênio do ar. Na edição deste ano, o setor agrícola insistiu na necessidade de aumentar a produção de alimentos de forma eficiente e sustentável, aproveitando melhor as terras cultiváveis disponíveis diante da pressão do crescimento populacional e da urbanização.
Metade dos alimentos depende dos nutrientes
Segundo a associação civil Fertilizar, pelo menos 50% da produção mundial de alimentos necessita de fertilizantes, que incluem nutrientes como fósforo, nitrogênio, potássio, cálcio, enxofre, magnésio, zinco e boro. A entidade destacou que, enquanto na década de 1960 um hectare agrícola alimentava 2 pessoas, hoje essa mesma área precisa abastecer cerca de 5, e que a Organização das Nações Unidas projeta um crescimento de um terço na população mundial até 2050.
Brasil, o maior importador mundial
Paralelamente, no Brasil, o Sindicato Nacional da Indústria de Matérias-Primas para Fertilizantes (Sinprifert) divulgou uma Carta Aberta ao Brasil na qual alertou que o país acumulou um gasto de R$ 1,4 trilhão na compra de fertilizantes no exterior ao longo dos últimos 30 anos. O sindicato apontou que, nesse período, a dependência externa passou de 55% para 90%, o que torna o Brasil o maior importador de fertilizantes do mundo: de cada dez toneladas de nutrientes aplicadas ao solo, nove vêm de fora.
Dependência do NPK e efeitos da guerra no Irã
O documento do Sinprifert detalhou que o Brasil precisa importar 97% do nitrogênio e do potássio, além de 74% do fósforo, os três principais nutrientes conhecidos como NPK. O sindicato também relacionou o fechamento do Estreito de Ormuz, em decorrência da guerra contra o Irã, à duplicação do preço do enxofre - matéria-prima para fertilizantes fosfatados -, o que resultou na paralisação de unidades produtivas no país. Apesar desse cenário, a produção agrícola brasileira cresceu: a safra de grãos passou de 123 milhões para 350 milhões de toneladas entre 2002 e 2025, segundo dados da Conab, enquanto a área plantada aumentou de 43,9 milhões para 81,7 milhões de hectares e as entregas de fertilizantes subiram de 19 milhões para 49 milhões de toneladas, de acordo com a Anda.
Reivindicação por fortalecer a produção nacional
A Carta Aberta ao Brasil, apresentada no próprio dia 13 de outubro em referência ao Dia Mundial dos Fertilizantes, propôs que o país reduza a dependência de insumos importados e amplie sua capacidade de produção nacional para proteger o agronegócio e a segurança alimentar. O Sinprifert considerou que o cenário atual, com cerca de 90% dos fertilizantes utilizados no país vindos do exterior, constitui um risco estratégico, já que os custos e a disponibilidade desses insumos ficam sujeitos a crises internacionais e a fatores fora do controle brasileiro.



