
Dois navios com bandeira de Singapura são atacados no Estreito de Ormuz
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Dois navios porta-contêineres registrados em Singapura, o GFS Pride e o GFS Giselle, foram atingidos por projéteis não identificados enquanto transitavam pelo Estreito de Ormuz. O GFS Pride sofreu avarias e um incêndio a bordo que acabou provocando o naufrágio da embarcação, enquanto o GFS Giselle sofreu danos no casco, mas conseguiu chegar por meios próprios a um fundeadouro seguro. Em ambos os casos, não foram registrados feridos entre as tripulações.
Cronologia e tripulações
Segundo informou a Autoridade Marítima e Portuária de Singapura (MPA), o GFS Pride foi atingido em 13 de outubro de 2026 e o GFS Giselle um dia depois, em 14 de outubro. Os 21 tripulantes do GFS Pride foram evacuados em segurança antes de o navio afundar, enquanto os 22 tripulantes do GFS Giselle permaneceram a bordo e também se encontram sem intercorrências. Nenhum dos tripulantes das duas embarcações é de nacionalidade singapurense. O GFS Pride tinha capacidade para 2.824 TEU e era operado pela GFS Ship Management FZE, com sede nos Emirados Árabes Unidos.
A versão do CENTCOM
O Comando Central dos Estados Unidos (CENTCOM) atribuiu o ataque ao Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (IRGC), afirmando que o GFS Pride foi atingido por um projétil do IRGC e que afundou enquanto era rebocado em direção à costa. Essa versão contradiz a alegação iraniana de que o navio havia colidido com uma mina naval ao navegar por uma rota não autorizada, algo para o qual o Centro de Informação Marítima Conjunta (JMIC) também não encontrou provas que sustentassem a hipótese. O JMIC documentou, no total, oito ataques com projéteis no estreito nos dias 11 e 13 de outubro, envolvendo quatro petroleiros e quatro porta-contêineres, e registrou ainda um ataque separado contra o navio-tanque de produtos Petro Dolphin, nas proximidades de Sohar, em Omã, que deixou dois tripulantes desaparecidos.
Tráfego e nível de ameaça
O JMIC manteve a avaliação de ameaça para o Estreito de Ormuz em nível GRAVE e advertiu que é muito provável a ocorrência de novos ataques, incluindo possíveis atividades de minagem e vigilância do IRGC. Embora o CENTCOM sustente que os Estados Unidos e seus parceiros regionais controlam o estreito, citando mais de 40 navios mercantes em trânsito em 24 horas, o próprio JMIC registrou 121 trânsitos entre 11 e 14 de outubro, uma média diária bem abaixo do nível anterior à guerra de 2025. O órgão contabiliza 149 incidentes confirmados na região desde 1º de março, enquanto a Organização Marítima Internacional (OMI) reporta 113 incidentes relevantes e 24 mortes de marítimos até 14 de outubro.
Preocupação de Singapura
A MPA manifestou sua profunda preocupação com os contínuos ataques contra a navegação comercial no Estreito de Ormuz, classificando-os como não provocados e injustificáveis, além de constituírem uma violação do direito internacional. O órgão destacou que qualquer ação que afete o transporte marítimo internacional deve cumprir plenamente a Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar e não deve colocar em risco a segurança dos marítimos e das embarcações, informando ainda que mantém contato com a empresa gestora de ambos os navios e acompanha de perto a situação.



