
EUA avaliam flexibilizar sanções à frota-fantasma diante de fretes recordes
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O governo de Donald Trump está considerando flexibilizar as sanções aos chamados navios da frota-fantasma, vinculados à Rússia, ao Irã e à Venezuela, com o objetivo de liberar capacidade de transporte marítimo e reduzir as tarifas de frete, que atingiram níveis recordes. Segundo um funcionário americano citado pela Reuters, a medida visa aumentar o fluxo de petróleo bruto e produtos refinados a partir do Golfo Pérsico.
O mecanismo em discussão permitiria que navios previamente sancionados transportassem petróleo e derivados considerados 'legais', ou seja, não sujeitos às sanções americanas, excluindo assim o petróleo russo e iraniano, que permanece sob restrições. As empresas que desejarem utilizar esses navios deveriam solicitar autorização ao Departamento do Tesouro dos EUA. O secretário de Energia, Chris Wright, mencionou essa possibilidade em um vídeo dirigido ao Congresso Mundial do Petróleo, em Riad, e o Departamento de Energia esclareceu que qualquer flexibilização não facilitaria o transporte de petróleo ou derivados russos.
A discussão ocorre dias depois de Trump suspender temporariamente as sanções às exportações de diesel russo até 7 de abril de 2027, decisão que gerou críticas do presidente ucraniano Volodymyr Zelensky, de diversos países europeus e de senadores republicanos americanos. Os preços da energia também representam uma preocupação política interna para o governo, às vésperas das eleições de meio de mandato de 3 de novembro.
Impacto nos mercados
Após a divulgação da notícia, o petróleo caiu com força: o Brent recuou 1,5%, para 104,49 dólares o barril, e o West Texas Intermediate cedeu 1%, para 94,14 dólares. Na Ásia, as ações de empresas de navegação petroleira sofreram forte queda: a COSCO Shipping Energy despencou mais de 13% em Hong Kong, enquanto a China Merchants Energy Shipping, as ações da COSCO Shipping Energy em Xangai e a China Merchants Nanjing Tanker atingiram o limite diário de baixa de 10% no mercado continental chinês.
Dúvidas entre os analistas
Especialistas consultados se mostraram céticos quanto à real eficácia da medida. O banco escandinavo SEB apontou que qualquer capacidade adicional seria limitada, já que a maioria dos navios sancionados é antiga e já está operando no mercado. A Clarksons Research estima que existem 1.010 petroleiros sancionados individualmente, somando 121 milhões de toneladas de porte bruto e representando 17% da capacidade global da frota. A consultoria Energy Aspects concordou que a flexibilização não teria grande impacto sobre as tarifas de frete, embora pudesse viabilizar um pequeno número de navios adicionais para as rotas de transbordo no Estreito de Ormuz. Analistas também alertaram que as sanções da União Europeia e do Reino Unido continuariam em vigor, o que limitaria qualquer retorno desses navios ao comércio convencional.



