
Fragata francesa abate drone que ameaçava navio da CMA CGM no Mar Vermelho
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Uma fragata da Marinha francesa abateu um drone que considerou uma ameaça ao porta-contêineres CMA CGM Champs Elysee enquanto escoltava o navio perto da passagem de Bab el-Mandeb, no extremo sul do Mar Vermelho. O incidente ocorreu na noite de 1º para 2 de outubro e foi confirmado pelo Estado-Maior das Forças Armadas francesas ao jornal Le Monde, que o divulgou em 15 de outubro.
Detalhes do incidente
A fragata Languedoc utilizou seu canhão para destruir o aparelho, que teria sido um drone de vigilância equipado apenas com câmeras. O drone sobrevoou um comboio de vários navios mercantes que incluía o Champs Elysee e pelo menos um porta-contêineres da MSC, e o navio da CMA CGM mudou de rota e velocidade durante o episódio. O Champs Elysee, com 400 metros de comprimento, propulsão a GNL e capacidade para 23.112 TEU, havia zarpado de Singapura em 20 de setembro, transitou pelo Canal de Suez em 3 de outubro e tinha previsão de chegar a Le Havre em 16 de outubro.
Reação das tripulações
Segundo o sindicato CFDT, após o ataque aumentou o número de marítimos que se recusam a fazer a travessia pelo Mar Vermelho, um aumento que foi discutido em uma reunião do comitê de saúde, segurança e condições de trabalho da CMA CGM em 7 de outubro. A representante sindical Delphine de Franco afirmou que mais tripulantes se mostram relutantes em navegar pela região, motivo pelo qual o sindicato pediu à armadora que utilize rotas alternativas sempre que possível. A CMA CGM respondeu que cada trânsito é realizado com o consentimento de cada tripulante, que mantém contato permanente com as autoridades francesas e que mantém conversas diárias com tripulações e sindicatos; a empresa paga ainda um bônus de guerra de 1.500 euros a quem aceitar atravessar o Mar Vermelho.
Contexto regional
O episódio ocorre em meio a uma intensificação dos confrontos entre os houthis e a Arábia Saudita, que levou o presidente francês Emmanuel Macron a anunciar, em 24 de setembro, o envio de apoio militar defensivo para proteger o porto e o terminal petroleiro de Yanbu. A missão naval da União Europeia Aspides, lançada em 2024 para proteger navios dos ataques houthis, elevou seu nível de alerta em setembro, e a chefe de política externa da UE, Kaja Kallas, disse em 8 de outubro que são necessárias mais escoltas, já que a missão pretende contar com dez navios, mas dispõe apenas de dois ou três. A Autoridade do Canal de Suez informou que a tonelagem que transitou pela via cresceu 54,2% nos primeiros oito meses de 2026 em relação ao mesmo período de 2025, e que até o fim de agosto 199 navios afiliados à CMA CGM, com 5,2 milhões de toneladas líquidas, haviam cruzado o canal, ante os 212 navios e 18,8 milhões de toneladas de todo o ano de 2025.
Antecedentes
As preocupações das tripulações se somam a um incidente anterior em que o navio CMA CGM San Antonio foi atingido por um projétil no Estreito de Ormuz em 5 de maio, com oito tripulantes feridos. O Mar Vermelho e o Golfo de Áden estão classificados como zona de guerra pelo Fórum Internacional de Negociação desde março de 2024, o que garante aos marítimos elegíveis direito a um pagamento extra e à recusa de navegar pela região.



