
Los Angeles e Long Beach acumulam recorde de contêineres à espera do trem
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Um atraso crescente na movimentação ferroviária de contêineres a partir dos portos de Los Angeles e Long Beach rumo ao leste dos Estados Unidos gera preocupação entre os varejistas, diante do risco de que mercadorias destinadas à temporada de fim de ano não cheguem a tempo. Segundo os próprios portos, o problema se explica por quatro meses de volumes de carga recordes ou próximos do recorde e pela incapacidade das ferrovias Classe I de reposicionar equipamento suficiente no sul da Califórnia.
Em 26 de outubro, cerca de 35.700 contêineres de importação aguardavam trem nos terminais do complexo portuário, dos quais 10.562 estavam no local havia pelo menos nove dias. A situação era mais crítica em Los Angeles, onde 8.133 dos 19.626 contêineres à espera de trem ultrapassavam esses nove dias (41,4%), ante 2.429 dos 16.062 em Long Beach (15,1%). O tempo médio de permanência dos contêineres destinados a ferrovia em todo o complexo subiu para 7,19 dias em setembro, ante 6,75 em agosto, enquanto o dos destinados a caminhão passou de 2,95 para 3,18 dias, segundo dados da Pacific Merchant Shipping Association.
Ambos os portos movimentaram volumes mensais recordes em setembro. Los Angeles movimentou 1.042.652 TEU, o mês mais movimentado de seus 118 anos de história e mais de 20.000 unidades acima do recorde anterior, de julho de 2025, com importações carregadas em alta de 19% em relação ao ano anterior e contêineres vazios em seu nível histórico mais alto. Long Beach processou 997.177 TEU, superando o recorde anterior de 987.191 TEU de outubro de 2024, com importações que cresceram 31,3% em relação ao ano anterior; nos primeiros nove meses de 2026, esse porto acumulou cerca de 8,1 milhões de TEU, mais de 3% acima do mesmo período do ano anterior.
Entre as causas apontadas pela corretora de cargas C.H. Robinson está a escassez de vagões intermodais no sul da Califórnia, que limita a disponibilidade de equipamento e dificulta o reposicionamento de contêineres vazios, enquanto a movimentação de contêineres destinados a caminhão se mantém relativamente normal. A isso se soma as obras de preparação da Caltrans para o fechamento, previsto a partir de 7 de novembro e com duração de 16 meses, da ponte Vincent Thomas, pela qual circulam em média 53.000 veículos por dia. Participantes do mercado consultados pela ICIS indicaram que estão somando de dois a quatro dias adicionais aos prazos de entrega já estendidos.
O quadro se agrava pelo risco de um conflito trabalhista: cerca de 250 vigias portuários do ILWU Local 26 votaram pela autorização de uma greve que poderia começar no domingo, 1º de novembro, e afetar oito terminais do complexo, que, segundo a Pacific Maritime Association, concentram cerca de 85% da carga de Long Beach e 33% da de Los Angeles. Apesar do acúmulo de contêineres em terra, não houve um aumento comparável de navios fundeados: na semana de 26 de outubro, apenas um navio aguardava atracação, segundo dados da Administração Marítima e do Marine Exchange. Long Beach, por sua vez, anunciou horários estendidos de portões durante as noites e aos sábados por seis semanas, com exceção da semana de Ação de Graças.
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