
Porto de Natal realiza sua primeira exportação de gado vivo por via marítima
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O Porto de Natal, administrado pela Companhia Docas do Rio Grande do Norte (Codern), concluiu sua primeira exportação marítima de gado vivo, enviando animais à Arábia Saudita. A Datamar News informou que o embarque, realizado nos dias 27 e 28 de outubro, incluiu 2.700 cabeças em uma operação avaliada em cerca de R$20 milhões, segundo a Secretaria de Agricultura, Pecuária e Pesca do Rio Grande do Norte (Sape-RN). Já o Portal Portuario informou que o primeiro navio zarpou com 2.350 cabeças rumo a esse país.
Segundo embarque a caminho
Ambas as fontes concordaram que já há um segundo envio programado para esta semana, embora divirjam quanto ao destino e ao volume. A Datamar News apontou que o próximo navio transportará aproximadamente 3.700 animais rumo ao Líbano, enquanto o Portal Portuario precisou que o segundo navio partirá na sexta-feira, dia 30, com 3.983 cabeças com destino ao Egito. O Portal Portuario acrescentou ainda que já há novos embarques programados para dezembro.
Autorização e controles sanitários
A operação se concretizou depois que a Codern recebeu, em 17 de junho de 2026, a autorização do Ministério da Agricultura e Pecuária do Brasil (Mapa) para operar exportações de gado vivo. O processo é supervisionado pelo Serviço de Vigilância Agropecuária Internacional (Vigiagro), pela Receita Federal e pelo Mapa, e inclui protocolos de bem-estar animal, como o uso de palha de arroz e bagaço de cana como cama durante a viagem. Segundo a Datamar News, os animais permaneceram cerca de 16 dias em quarentena na região metropolitana de Natal, enquanto o Portal Portuario detalhou que, ao chegar ao porto, os animais são transferidos diretamente dos caminhões para os navios, sem contato com as áreas externas do terminal.
Impacto econômico esperado
O secretário da Sape-RN, Guilherme Saldanha, estimou que a atividade poderia gerar até R$1.500 milhões anuais para o Rio Grande do Norte se o estado conseguir captar 15% do mercado brasileiro de exportação de gado vivo, calculado em 2 milhões de cabeças, a partir de 2026 ou 2027. Saldanha comparou esse potencial com a receita anual gerada pela indústria frutícola do estado e afirmou que, caso se consiga uma saída semanal de navios, o impacto equivaleria à instalação de uma planta frigorífica na escala da JBS, ainda que sem o abate dos animais no país.
Da Codern, o diretor técnico e comercial Paulo Sidney Gomes Silva classificou o marco como um momento histórico para o porto, fruto de quatro anos de trabalho e articulação entre a empresa, o Governo do Estado, o Ministério da Agricultura, o Vigiagro e as empresas exportadoras. Silva destacou que a nova operação é realizada com responsabilidade ambiental, segurança sanitária e respeito ao bem-estar animal, e que fortalece a pecuária do Rio Grande do Norte, incluindo a agricultura familiar.



