
Reino Unido aprova desenvolvimento do campo de gás Jackdaw no Mar do Norte
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O governo do Reino Unido aprovou na quarta-feira o desenvolvimento do campo de gás Jackdaw, no Mar do Norte, pondo fim a anos de disputas legais e políticas em torno do projeto. A decisão do governo trabalhista busca equilibrar suas metas climáticas com as preocupações relativas à segurança energética do país.
Produção e prazos
A ministra de Energia, Miatta Fahnbulleh, indicou que o projeto começará a fornecer gás antes do fim do mês, o que ajudaria a aliviar os custos energéticos que dispararam durante a guerra do Irã. Segundo o governo, o Jackdaw elevará a produção doméstica de gás em torno de 6% no pico de produção e operará por até 11 anos, qualificando-o como “uma fonte de força nacional” em um período de instabilidade global. O campo terá uma produção máxima planejada de 40.000 barris de óleo equivalente por dia, o que cobriria pouco menos de 4% da demanda diária de gás britânica, de acordo com cálculos da Reuters baseados em dados oficiais. O primeiro-ministro Andy Burnham afirmou que é responsável maximizar as reservas energéticas existentes na Grã-Bretanha em um momento em que a população atravessa dificuldades econômicas.
Fundo de riqueza energética e críticas
Junto com a aprovação do Jackdaw, o governo anunciou a criação de um novo Fundo de Riqueza Energética com um investimento inicial de 2 bilhões de libras (2,7 bilhões de dólares) para direcionar as receitas do petróleo e do gás à transição para energias mais limpas. A medida busca mostrar que o Reino Unido mantém seu compromisso climático apesar de apoiar um novo projeto de gás, após o verão mais quente já registrado no país. O Partido Verde classificou a aprovação como “vandalismo climático”, enquanto Fahnbulleh afirmou que a entrada em operação do Jackdaw é compatível com a meta legalmente vinculante de alcançar emissões líquidas zero até 2050. O governo ainda não definiu o futuro do campo petrolífero Rosebank, de maior porte e voltado principalmente à exportação.
Reações da indústria
O Jackdaw é operado pela Adura, joint venture entre Shell e a norueguesa Equinor, e a Shell comemorou a decisão do governo, destacando que os projetos energéticos de longo prazo dependem de um ambiente de investimento competitivo e estável, além de decisões regulatórias tempestivas e previsíveis. Por sua vez, a UK Chamber of Shipping e a Associação Britânica de Proprietários de Plataformas (BROA) também receberam a aprovação com satisfação. Robert Merrylees, diretor de Políticas da entidade, afirmou que um setor energético offshore competitivo sustenta empregos marítimos qualificados, investimento e uma cadeia de suprimentos de classe mundial, fundamental também para a transição energética, e pediu um ambiente estável que dê confiança às empresas para investir, além de solicitar que seja anunciado no Orçamento um tributo permanente sobre as receitas do petróleo e do gás.



