
Taiwan expulsa 16 navios chineses em operação simultânea em quatro zonas marítimas
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A Guarda Costeira de Taiwan informou que interceptou e expulsou 16 navios chineses que realizavam atividades de assédio marítimo ao redor da ilha principal de Taiwan e das disputadas Ilhas Pratas, também chamadas Dongsha. A frota incluía 12 embarcações oficiais, entre elas cúteres da guarda costeira e navios de pesquisa, além de quatro pesqueiros de casco de aço, que atuaram simultaneamente em quatro pontos distintos do perímetro taiwanês.
Incidentes em Kaohsiung, Hualien e Eluanbi
A sudoeste de Kaohsiung, um navio chinês de pesquisa e um pesqueiro interferiram na embarcação taiwanesa Wan Fa Cheng 11, levando a patrulheira Pingtung a intervir para proteger a tripulação local. Na costa leste, perto de Hualien, o navio de pesquisa científica chinês Tansuo-3 entrou em águas restritas e foi interceptado por uma patrulheira que exigiu por rádio sua retirada imediata. Mais ao sul, perto de Eluanbi, o navio Beidiao 996 entrou em águas restritas após a meia-noite e só mudou de rumo depois de receber 12 advertências por rádio de uma unidade de patrulha de Hengchun.
Novo episódio no atol de Dongsha
O quarto foco do confronto ocorreu no atol de Dongsha, no disputado Mar do Sul da China, onde os cúteres da Guarda Costeira chinesa 3301 e 3303 cercaram a ilha. As embarcações taiwanesas Qijin e Taichung os expulsaram da área restrita por volta do meio-dia, no que constituiu, segundo ambas as fontes, pelo menos a décima segunda expulsão desse tipo no ano em curso.
Um padrão de pressão crescente
As autoridades taiwanesas classificaram essas operações como guerra híbrida destinada a alterar o status quo no Estreito de Taiwan e a projetar uma falsa jurisdição sobre a região. Segundo dados oficiais citados por ambas as fontes, em julho foram detectados 244 navios chineses de guarda costeira, pesquisa e governo perto de Taiwan, ante apenas 30 em maio, em um contexto de implantações quase diárias de navios de guerra chineses. A China começou a realizar patrulhas de aplicação da lei a leste de Taiwan em junho, o que Taipei classificou como provocador e expansionista.
A versão de Pequim
O governo chinês sustentou que sua guarda costeira apenas salvaguarda a ordem na área do atol, reivindicado por ambas as partes. A porta-voz do Gabinete de Assuntos de Taiwan, Zhang Han, afirmou que a China tem soberania indiscutível sobre as Ilhas Pratas e suas águas adjacentes, e que os navios chineses protegem de forma efetiva os direitos legítimos da população em ambos os lados do Estreito. Pequim advertiu ainda que Taiwan deverá assumir as consequências pelo uso de um canhão d'água contra um pesqueiro chinês perto das Pratas.
Taipei alerta sobre uma estratégia mais agressiva
Chiu Chui-cheng, titular do Conselho de Assuntos Continentais de Taiwan, apontou que Pequim busca domesticar a questão de Taiwan para criar uma ilusão de jurisdição de facto sobre suas águas circundantes e ilhas costeiras. O funcionário avaliou que, diante da confirmação de Xi Jinping para um quarto mandato no próximo ano, a política chinesa em relação a Taiwan virará para uma estratégia mais agressiva e provocadora de exercer jurisdição antes de alcançar a unificação.



