
UE apresenta nova estratégia ártica focada em segurança e rotas marítimas
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A União Europeia apresentou em 20 de outubro sua nova estratégia para o Ártico, intitulada 'Europe's Northern Neighbourhood – A New Strategy for the Arctic', com a qual busca manter aberta à navegação internacional a Rota do Mar do Norte, ao largo da costa ártica da Rússia. O documento, adotado pela Comissão Europeia e apresentado pela chefe da política externa Kaja Kallas, dá ênfase à segurança em detrimento dos objetivos climáticos e de desenvolvimento sustentável que predominavam na estratégia anterior, de 2021.
Vigilância e defesa
Entre as medidas anunciadas está a criação de um 'Maritime Security Hub' para compartilhar informações sobre atividade de navegação e movimentações da frota-sombra na região, além de um 'Arctic Cable Hub' destinado a monitorar, proteger e coordenar reparos de cabos submarinos de dados. A UE também planeja ampliar sua capacidade de quebra-gelos, reforçar sua rede de satélites Copernicus e apoiar portos e aeroportos de uso militar no Ártico. Segundo a Ports News Rússia, Bruxelas destinará 260 milhões de euros (291,9 milhões de dólares) a tecnologias militares adaptadas ao Ártico, incluindo aeronaves projetadas para climas extremos e sensores de longo alcance, embora a Baird Maritime tenha apontado que a estratégia não incluiu um custo total detalhado.
Competição geopolítica
Kaja Kallas afirmou que o Ártico se tornou uma frente da disputa global de poder diante do avanço da Rússia e da China, e declarou que a UE intensificará seus esforços em vigilância, infraestrutura, mobilidade militar e tecnologias de defesa. Autoridades da UE apontaram que Moscou reabriu e modernizou bases militares da era soviética na região e que mantém forte concentração de armas nucleares na península de Kola, dentro do Círculo Polar Ártico, que também é usada como área de testes de mísseis. A Rússia, por meio do chanceler Sergei Lavrov, acusou a OTAN de impulsionar a militarização da região e afirmou em agosto que busca preservar a paz e reduzir as ameaças à sua segurança nacional.
Energia e emissões
A estratégia mantém inalterada a rejeição da UE à extração de energia baseada em carbono no Ártico, apesar das pressões da Noruega, que projeta explorar recursos offshore no mar de Barents. O comissário de Energia, Dan Jorgensen, reafirmou que o petróleo, o carvão e o gás devem permanecer sob o solo. O documento também apoia uma regulamentação vinculante na OMI sobre emissões de carbono negro de navios no Ártico, ligada à proposta dinamarquesa de 'combustíveis polares' para restringir o uso de combustíveis mais poluentes em águas polares.
Contexto regional
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, descreveu o Ártico como um ponto de choque das placas tectônicas da geopolítica e afirmou que a soberania e a integridade territorial já não podem ser dadas como certas na região. A apresentação ocorre em um contexto de crescente interesse dos Estados Unidos, da Rússia, da China e da Europa pela abertura de novas rotas marítimas à medida que o gelo recua, depois que o presidente Donald Trump tentou adquirir a Groenlândia, território da Dinamarca, país membro da UE. No mês passado, von der Leyen havia anunciado um plano de investimento de 200 milhões de euros da UE para a Groenlândia.



