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Rodrigo Medina G. é engenheiro civil especialista em transporte e ex-diretor nacional de Planejamento de Transporte (Sectra).
O recente descarrilamento de um trem de carga em Chiguayante não é um evento fortuito; é um alerta técnico sobre um modelo de convivência ferroviária no limite. A história global, com desastres como Viareggio (2009) ou Lac-Mégantic (2013), sublinha a vulnerabilidade de áreas povoadas diante do transporte de mercadorias perigosas.
Na Grande Concepción, "naturalizamos" que trens com substâncias perigosas circulem por plataformas repletas de passageiros. Enquanto o Biotrén cresce em demanda, ambos os sistemas operam em uma disputa constante pelo mesmo traçado. Na opinião de especialistas, a Linha 1 é hoje um ativo subutilizado. Apesar de unir Chiguayante, Hualpén e Talcahuano, não chega ao centro de Concepción e seu desenvolvimento é limitado pela servidão à carga.
Aqui, o projeto de Acesso Norte Ferroviário ganha relevância estratégica. Não é apenas uma via eficiente para Santiago; é a ferramenta para a independência de redes. Ao redirecionar a carga, a Linha 1 poderia ser dedicada a passageiros, potencializando a logística portuária e de Carriel Sur por uma via segregada. Assim, a Linha 1 se torna a candidata natural para o tão desejado sistema subterrâneo (Metrô) que a cidade requer para chegar ao seu centro.
Esta segregação é, além disso, uma intervenção urbana profunda. Somente eliminando a barreira física da via de carga poderemos orientar a cidade para o Biobío, removendo o principal agente segregador de nossa margem. O estrondo em Chiguayante deve ser o catalisador para um planejamento audacioso. Atualmente, os estudos de conexão com Santiago e de um acesso subterrâneo ao centro de Concepción estão em desenvolvimento; não percamos a oportunidade de dirigi-los adequadamente nem desperdicemos esses avanços, fazendo os esforços necessários para que progridam para suas próximas etapas com rapidez e sem atrasos.
Fonte: portalportuario)

