
15 Out 2026
Comissão regional das Nações Unidas lançou hoje seu relatório anual Perspectivas do Comércio Internacional da América Latina e do Caribe 2026.

A Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL) divulgou hoje uma nova edição de seu relatório anual Perspectivas do Comércio Internacional da América Latina e do Caribe 2026: a importância das exportações de serviços modernos e como promovê-las, no qual prevê um aumento significativo das exportações de bens para 2026 e destaca as oportunidades oferecidas pelos serviços modernos para diversificar as exportações e impulsionar o crescimento e a produtividade.
O documento, apresentado em uma coletiva de imprensa liderada pelo Secretário Executivo da CEPAL, José Manuel Salazar-Xirinachs, aborda a profunda reconfiguração que o comércio mundial está experimentando, influenciada pelos objetivos de segurança econômica, resiliência e sustentabilidade, pela instrumentalização da interdependência e marcada pelo rápido avanço das tecnologias emergentes, o ressurgimento das políticas de desenvolvimento produtivo e a reorganização geográfica das cadeias de valor.
O relatório projeta um crescimento do valor das exportações de bens de 20% em 2026, o maior desde o rebote pós-pandemia de 2021. Este resultado seria impulsionado pelo aumento dos preços de exportação de 11% e o aumento dos volumes exportados de 9%, que cresceria pelo sexto ano consecutivo. Além disso, adverte que o desempenho seria desigual entre as sub-regiões: a América do Sul se beneficiaria do ciclo de preços dos produtos básicos, enquanto o México se destacaria pelo dinamismo de suas exportações manufatureiras.
As exportações de serviços cresceriam 11%, impulsionadas pela recuperação do transporte e das viagens, e o dinamismo resiliente dos serviços modernos. O comércio de mercadorias elevou a demanda logística e de transporte internacional, enquanto o turismo favoreceu as exportações de viagens, especialmente na América Central e no Caribe.
Por sua vez, a CEPAL projeta que as importações regionais de bens cresçam 16% em valor, impulsionadas por uma expansão de 12% no volume e um aumento de 4% nos preços. O dinamismo das importações reflete uma recuperação do consumo interno e uma crescente demanda por insumos intermediários e bens de capital.
Em linha com as projeções favoráveis para o conjunto da região, projeta-se que 28 dos 33 países que a compõem registrem aumentos no valor de suas exportações de bens em 2026, que atingiriam dois dígitos em 16 deles.
Em sua segunda parte, o documento analisa a situação atual da exportação de serviços modernos na região - serviços empresariais, profissionais, financeiros, audiovisuais, criativos, de tecnologias da informação e de pesquisa e desenvolvimento - e a oportunidade estratégica que representam.
O relatório indica que o comércio mundial de serviços, impulsionado principalmente pelos serviços modernos e digitais, é o componente mais dinâmico do comércio internacional. Em 2025, atingiu 9,6 trilhões de dólares, com um crescimento médio anual de 6,6% na última década. Na América Latina e no Caribe, as exportações de serviços modernos multiplicaram-se por mais de 3,5 nas últimas duas décadas, em comparação com um aumento de cerca de 1,6 vezes nos serviços tradicionais. Apesar desse avanço, a região representa apenas 2% das exportações mundiais de serviços modernos.
Esses serviços oferecem oportunidades para diversificar as exportações, gerar divisas e empregos de qualidade, e elevar a produtividade de outros setores, como a agricultura, a mineração e as manufaturas. Para aproveitar esse potencial, é necessária uma estratégia integrada que combine a promoção de exportações, a atração de investimento estrangeiro direto e o desenvolvimento de talento humano, com uma coordenação eficaz entre o setor público e o privado. O capítulo examina experiências de vários países da região e destaca, em particular, os casos da Costa Rica e do Uruguai, que articularam esses âmbitos em estratégias sustentadas.
“A região enfrenta importantes desafios em um ambiente geopolítico incerto. As tensões geopolíticas, as disrupções nas rotas logísticas e a falta de previsibilidade da política comercial representam riscos para o comércio. A competição por minerais críticos e as novas exigências ambientais também estão reconfigurando as cadeias de valor e as condições de acesso aos mercados”, enfatizou o Secretário Executivo da CEPAL.
Daniela García, Diretora da Divisão de Comércio Internacional e Integração, destacou que a conjuntura comercial favorável observada na região durante 2026 oferece uma oportunidade para conectar as políticas comerciais, de desenvolvimento produtivo e de investimento com as novas tendências da economia mundial.
Em resumo, o relatório Perspectivas do Comércio Internacional 2026 apresenta três mensagens-chave:
A geografia comercial está mudando. O maior peso da Ásia e a integração regional podem abrir mercados e diversificar as exportações de bens e serviços.
O comércio mantém seu dinamismo, mas seus benefícios são desiguais. As perspectivas exportadoras da América Latina e do Caribe são favoráveis, embora variem entre países e setores.
Aproveitar as oportunidades requer estratégias claras, esforços sustentados e instituições sólidas. Nos serviços modernos, a promoção de exportações, a atração de investimentos e o desenvolvimento de talentos devem avançar de maneira coordenada com o setor privado e com o apoio de instituições sólidas.

