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Chile enfrenta um desafio que exige decisões de longo prazo. Fortalecer suas capacidades de controle contra o contrabando e o crime organizado, mas sem afetar a fluidez de um comércio exterior que é estratégico para nossa economia.
Neste contexto, o anúncio de um plano para modernizar o Serviço Nacional de Alfândegas abre uma discussão necessária.
A incorporação de tecnologia, inteligência artificial, sistemas de fiscalização não invasiva e melhores ferramentas de gestão de risco pode representar um avanço importante para construir uma Alfândega mais eficiente e preparada para os desafios atuais.
No entanto, modernizar não significa simplesmente incorporar mais controles ou mais tecnologia. Significa controlar melhor, utilizando de maneira inteligente a informação e concentrando os recursos onde efetivamente existem riscos.
Uma fiscalização mais sofisticada deve permitir que as cargas de baixo risco possam avançar com maior rapidez e certeza, enquanto o Estado concentra suas capacidades naquelas operações que requerem uma revisão mais exaustiva. Dessa maneira, segurança e facilitação do comércio deixam de ser objetivos contrapostos.
No entanto, em meio a esta discussão há uma pergunta que também devemos nos fazer: Que lugar ocuparão os despachantes aduaneiros na Alfândega do futuro?
A resposta não deveria ser que a digitalização os torna desnecessários. Pelo contrário, quanto mais complexo, tecnológico e baseado em informação for o sistema aduaneiro, maior será a necessidade de contar com conhecimento especializado que permita interpretar corretamente a regulamentação, antecipar riscos, assegurar o cumprimento e facilitar as operações legítimas.
O despachante aduaneiro cumpre uma função especializada dentro da cadeia do comércio exterior. Participa diariamente de seus processos, conhece suas exigências e dificuldades, contribui para que as operações de importação e exportação se desenvolvam de acordo com a regulamentação.
Neste papel, coordena com os distintos organismos que intervêm na operação e gerencia, junto a importadores e exportadores, a documentação necessária para o correto desenvolvimento de seus trâmites, aportando experiência, certeza e maior fluidez ao comércio exterior.
Por isso, o debate não deveria centrar-se em se a modernização substitui o despachante aduaneiro, mas em como a modernização pode potencializar sua contribuição.
A transformação digital oferece precisamente essa oportunidade. Os despachantes podem desempenhar um papel cada vez mais relevante em matérias como cumprimento normativo, qualidade da informação, rastreabilidade, gestão de riscos e facilitação do comércio.
A tecnologia pode automatizar processos, mas o conhecimento especializado continua sendo fundamental para interpretar informações, detectar inconsistências e compreender as particularidades das operações.
Isso requer, por supuesto, que todos os atores evoluamos. O despachante aduaneiro também deve acompanhar a transformação tecnológica, incorporar novas ferramentas e fortalecer permanentemente suas capacidades. Modernizar o sistema implica modernizar também a forma como participamos nele.
O mesmo ocorre com o Estado. Uma Alfândega moderna requer tecnologia, mas também processos eficientes, funcionários capacitados, interoperabilidade entre instituições e regras claras a respeito das competências de cada organismo. A modernização não pode reduzir-se a infraestrutura ou equipamento, deve traduzir-se em melhores processos e resultados.
Desde a Anagena acreditamos que esta transformação deve ser construída com uma visão integral e com participação daqueles que conhecem a operação cotidiana do comércio exterior. Os despachantes aduaneiros podem contribuir a partir dessa experiência para uma discussão que não só deve se preocupar em como controlar mais, mas em como controlar melhor e facilitar mais.
O Chile tem a oportunidade de avançar para uma Alfândega mais tecnológica, segura, eficiente e conectada com as necessidades do comércio exterior. Para conseguir isso, precisamos combinar capacidades do Estado, inovação tecnológica e conhecimento especializado.
Modernizar as Alfândegas não significa prescindir daqueles que conhecem o comércio exterior. Significa integrar tecnologia, capacidade institucional e conhecimento especializado para construir um sistema mais seguro, eficiente e facilitador. Nesse desafio, o despachante aduaneiro não perde relevância, evolui e pode assumir um papel ainda mais estratégico.

