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A Suprema Corte dos Estados Unidos proferiu sua decisão afirmando que quatro linhas de cruzeiro poderiam ser processadas pelo uso do píer em Havana, Cuba, sob a Lei Libertad, aprovada pelo Congresso dos EUA em 1996. O caso tem sido visto como um divisor de águas potencial na longa luta por compensação por bens apreendidos durante a revolução cubana de 1959 e outros eventos ao redor do globo.
A questão era o uso dos docas em Havana pelas linhas de cruzeiro entre 2016, quando os Estados Unidos suspenderam muitas de suas restrições a Cuba sob o presidente Barack Obama, e junho de 2019, quando Donald Trump restabeleceu as restrições e deixou expirar uma isenção presidencial sobre a aplicação da Lei Libertad. A Havana Dock Company, que construiu e operou os docas sob uma concessão de 99 anos antes da revolução cubana, processou a Carnival Corporation, Norwegian Cruise Line Holdings, MSC Cruises e Royal Caribbean Group, alegando que lucraram com o uso de propriedade confiscada.
O caso alega que as linhas de cruzeiro transportaram quase um milhão de passageiros para Cuba entre 2016 e 2019 usando os píeres que eram propriedade "manchada", apreendida pelo governo cubano em 1960 da Havana Docks. Sob a Lei de Liberdade Cubana e Solidariedade Democrática (conhecida como Lei Libertad ou Lei Helms-Burton por seus patrocinadores), as empresas receberam o direito de processar por compensação por suas propriedades apreendidas.
Um tribunal distrital federal em Miami decidiu a favor da Havana Docks e concedeu indenização de US$ 440 milhões. No entanto, um Tribunal de Apelações dos EUA reverteu a decisão. O caso das linhas de cruzeiro foi argumentado perante a Suprema Corte dos EUA em fevereiro sobre a interpretação da lei. Entre as defesas apresentadas pelas linhas de cruzeiro está o argumento de que a concessão dos píeres deveria ter expirado em 2004. Além disso, argumenta-se que as linhas de cruzeiro estavam operando sob licenças emitidas pelo governo dos EUA.
A Suprema Corte, em uma decisão de 8 a 1, decidiu que a propriedade era, de fato, "manchada" pela apreensão de 1960 e que a Havana Docks só precisava mostrar que as linhas de cruzeiro haviam usado a propriedade confiscada. A opinião da maioria, escrita pelo Juiz Clarence Thomas, discorda da decisão do tribunal de apelação, constatando que a lei geralmente torna aqueles que usam propriedade "manchada" por uma confiscação passada responsáveis perante qualquer cidadão dos EUA que possua uma reivindicação sobre essa propriedade. A reivindicação da Havana Docks pelos docas perdidos foi certificada em US$ 9 milhões em 1960.
Em uma opinião concordante, a Juíza Sonia Sotomayor, acompanhada pelo Juiz Brett Kavanaugh, levanta preocupações de que a opinião da maioria, no entanto, é muito ampla. Ela acredita que era improvável que o Congresso pretendesse na lei que "alguém que sofreu uma perda finita colhesse recuperações infinitas". Ela acredita que a reivindicação deve ser finita e não continuar enquanto alguém continuar a fazer qualquer uso comercial dos docas. A Juíza Sotomayor, em sua opinião, levanta outro ponto, destacando que os cruzeiros foram operados em um momento em que a política dos EUA era que eles eram lícitos e benéficos tanto para Cuba quanto para os Estados Unidos.
O único voto divergente veio da Juíza Elena Kagan, que se concentrou na afirmação de que o governo cubano sempre foi o proprietário dos docas. Ela aponta para a expiração do contrato da Havana Docks em 2004. Ela adverte que a interpretação da lei pela Suprema Corte "trata todos os interesses de propriedade como se fossem perpétuos". Ela concorda com o Tribunal de Apelação, dizendo que a reivindicação da Havana Docks deveria falhar porque as linhas de cruzeiro não usaram os docas durante a concessão por tempo limitado.
A decisão envia o processo contra as linhas de cruzeiro de volta aos tribunais inferiores para novas argumentações.
Existem outros casos sob a Lei Libertad também pendentes nos tribunais dos EUA com base na decisão de Trump de 2019 de não estender a suspensão da lei. Presidentes antes de Trump haviam suspendido a aplicação da lei.
A Suprema Corte em fevereiro também ouviu um caso sob a lei movido pela Exxon Mobil buscando compensação da empresa petrolífera estatal cubana CIMEX. A empresa de energia dos EUA perdeu seus ativos de petróleo e gás em Cuba, que foram apreendidos pelo regime de Castro após a revolução e entregues à empresa petrolífera estatal.
Em 2022, foi observado que mais de 40 processos da Lei Libertad foram arquivados, incluindo casos contra empresas de transporte comercial Maersk, MSC, Crowley Maritime e Seaboard Marine. Alguns dos casos movidos sob a lei, como Crowley Maritime e American Airlines, teriam chegado a acordos, enquanto outros serão impactados pelas decisões no caso das linhas de cruzeiro e pela decisão ainda não anunciada da Suprema Corte no caso ExxonMobil.

