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Empresas de navegação permanecem cautelosas em relação ao envio de embarcações através do Estreito de Ormuz, apesar dos sinais de que o Irã pode estar disposto a reabrir o canal.
Por Alaric Nightingale, Weilun Soon e Grant Smith (Bloomberg) –
Empresas de navegação permanecem cautelosas em relação ao envio de embarcações através do Estreito de Ormuz, apesar dos sinais de que o Irã pode estar disposto a reabrir o canal.
O Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã disse na quarta-feira que "passagem segura e estável" através da via navegável — uma passagem vital para o fornecimento de petróleo — será possível com "novos protocolos em vigor". Isso veio logo após um relatório de que os EUA haviam proposto um acordo de paz, que Teerã está agora considerando.
Detalhes das exigências ou restrições que o Irã pretende impor à navegação, e se os EUA as aceitarão, permanecem obscuros.
"Os armadores com quem conversei disseram que só acreditarão quando virem", disse Halvor Ellefsen, diretor em Londres da Fearnleys Shipbrokers UK Ltd., sobre a possibilidade de o tráfego em Ormuz ser retomado. "Não é a primeira vez que há declarações públicas encorajadoras, apenas para elas não se materializarem."
A reabertura de Ormuz é crítica para o mercado global de petróleo e para a economia em geral. Seu fechamento efetivo sufocou centenas de milhões de barris de oferta e impulsionou um aumento nos preços. A gasolina nos EUA esta semana ultrapassou US$ 4,50 por galão pela primeira vez desde 2022.
A mídia iraniana informou na segunda-feira que os armadores precisam enviar um e-mail para uma organização chamada Persian Gulf Strait Authority se quiserem enviar navios através da via navegável. Um formulário enviado a candidatos a trânsito pelo estreito do endereço de e-mail da organização, visto pela Bloomberg, pede detalhes do destino do navio, país de origem, registro de bandeira atual e anterior, o valor de sua carga e as nacionalidades de sua tripulação.
Cinco executivos da indústria, incluindo armadores, gerentes de embarcações e consultores de segurança, disseram que era muito cedo — e muito incerto — para as travessias serem retomadas. Dois citaram um ataque a um navio porta-contêineres na terça-feira como um dos motivos para ter cautela.
Um funcionário de uma empresa de petroleiros disse que não entraria em contato com o Irã para permissão de trânsito, porque estava receoso em fornecer às autoridades detalhes precisos dos movimentos das embarcações.
A associação internacional de navegação Bimco disse que precisaria de confirmação oficial de quaisquer novas regras de trânsito antes de emitir qualquer atualização de suas orientações de segurança.
Ainda é possível que alguns armadores vejam o pronunciamento do IRGC como uma oportunidade para tentar a passagem.
Da última vez que declarações públicas do Irã sugeriram uma flexibilização da tensão, vários navios tentaram a passagem, apenas para fazer um retorno quando ficou claro que a via navegável permanecia insegura.
Não houve aumento imediato no tráfego observado na quarta-feira, embora qualquer aumento possa levar algumas horas para aparecer nos dados de rastreamento de navios.
© 2026 Bloomberg L.P.
Este artigo contém reportagens da Bloomberg, publicadas sob licença.

