
O comércio exterior peruano se encaminharia para um fechamento de ano de extraordinário dinamismo. A Câmara de Comércio de Lima (CCL), através de seu Instituto de Pesquisa e Desenvolvimento de Comércio Exterior (Idexcam), projetou que as exportações peruanas atingiriam 110,794 milhões de dólares até o final de 2026.
Essa projeção das vendas ao exterior representaria um crescimento de 21,16% em relação ao registrado em 2025, impulsionadas principalmente pelo setor de mineração, embora com importantes diferenças no desempenho das distintas atividades exportadoras.
Mineração
De acordo com as estimativas da CCL, as exportações de mineração atingiriam aproximadamente 79,497 milhões de dólares, com um crescimento próximo a 32%, consolidando-se como o principal motor do comércio exterior peruano e representando cerca de 72% do valor total projetado.
Os maiores incrementos seriam registrados no chumbo (81%), prata (50%), ouro (38%) e cobre (29%). Esse desempenho seria favorecido pelas elevadas cotações internacionais e pela demanda associada à transição energética, à eletromobilidade e ao desenvolvimento de infraestrutura tecnológica.
Esse cenário confirma a importância estratégica da mineração para a geração de divisas e evidencia a necessidade de fortalecer as condições que permitam aproveitar as oportunidades dos mercados internacionais.
Petróleo, gás e indústria
O desempenho favorável se estenderia a outros setores relevantes. As exportações de petróleo e gás natural cresceriam 27%, seguidas pelas do setor siderúrgico (15%) e químico (8%).
Entre os produtos com maior dinamismo destacariam os derivados do petróleo, o gás natural liquefeito, as manufaturas de cobre, os produtos químicos orgânicos e as manufaturas de plástico e borracha.
Para a CCL, essas perspectivas refletem oportunidades que o país deve aproveitar mediante maior investimento, infraestrutura eficiente e melhores condições de competitividade.
Agroexportações e pesca
No entanto, o panorama exportador também apresenta importantes sinais de alerta, advertiu a CCL.
O setor agrícola registraria uma contração próxima a 4% este ano, principalmente pelas quedas projetadas nas exportações de cacau e seus derivados (-45%) e café (-31%), em um contexto de normalização de preços internacionais.
Esse retrocesso seria parcialmente compensado pelo crescimento estimado das exportações de frutas (10%).
Por sua vez, as exportações pesqueiras diminuiriam cerca de 14%, afetadas por menores envios de farinha de peixe (-34%) e moluscos (-13%) em um cenário de riscos climáticos e restrições de oferta.
Essas diferenças setoriais evidenciam que o crescimento exportador não será uniforme e que o Peru precisa fortalecer a capacidade de resposta de seus setores produtivos frente às mudanças do mercado internacional.
O desafio
A CCL adverte que essas projeções poderiam ser afetadas pela volatilidade dos preços internacionais, pelas tensões geopolíticas, pelas anomalias climáticas, pelas restrições de oferta e pelos problemas logísticos internos.
Nesse contexto, a Câmara de Comércio de Lima considera fundamental acelerar os investimentos em infraestrutura logística, diversificar a oferta exportável, fortalecer a gestão de riscos e elevar a competitividade dos setores não tradicionais.
"O Peru tem a oportunidade de superar os 110,000 milhões de dólares em exportações, mas o verdadeiro desafio é converter esse crescimento em desenvolvimento sustentável, maior competitividade e novas oportunidades para as empresas peruanas", assinalou a CCL.

