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O presidente do Conselho de Liderança Presidencial do Iêmen, Rashad al-Alimi, classificou o ataque perpetrado pelo grupo Houthi, apoiado pelo Irã, contra o Porto de Mocha – perto do estreito de Bab al-Mandab – como uma "extensão da escalada iraniana" contra as instalações econômicas e as rotas marítimas.
Pelo menos sete pessoas morreram e outras 35 ficaram feridas em ataques com drones e mísseis lançados pelos Houthis contra o complexo portuário e bairros residenciais, a oeste da província de Taiz, nas primeiras horas de domingo, 9 de agosto.
"O ataque a um porto marítimo vital perto de Bab al-Mandab é uma extensão da escalada iraniana contra as instalações econômicas, as rotas marítimas e os interesses dos países da região", afirmou Alimi durante uma reunião com o novo encarregado de negócios dos Estados Unidos no Iêmen, Neil Hope, conforme citado pela agência oficial de notícias Saba.
A ofensiva "demonstra mais uma vez o perigo de que mísseis, drones e capacidades de armamento avançado permaneçam fora da autoridade do Estado", acrescentou.
Durante a reunião, Alimi informou o diplomata americano sobre a evolução da situação no terreno no Iêmen, de acordo com a Saba.
Alimi destacou que o ataque de domingo, dia 9, ocorreu dias depois das "agressões Houthi contra posições das forças armadas, campos de deslocados e bens civis", bem como de tentativas de atacar navios e instalações nacionais.
Ele acusou o grupo apoiado pelo Irã de travar "uma guerra sistemática contra os recursos do povo iemenita, seus meios de subsistência e suas saídas econômicas".
"As milícias Houthi, que afirmam que as áreas sob seu controle sofrem um bloqueio, são as mesmas que hoje atacam portos, aeroportos e instalações econômicas, ameaçando navios comerciais e o fornecimento de alimentos e combustível", declarou Alimi.
O líder do Iêmen instou os EUA e a comunidade internacional a passarem "da mera contenção da ameaça Houthi para a neutralização de suas fontes e ferramentas", através da manutenção da pressão política, econômica e diplomática sobre o grupo e seus patrocinadores, ao mesmo tempo em que se fortalecem as capacidades do Governo iemenita.
O presidente iemenita reiterou o apoio do Governo a "qualquer esforço diplomático que reduza as tensões e evite guerras na região", mas advertiu que acordos que não abordem as capacidades militares, o financiamento e as ameaças regionais dos grupos apoiados pelo Irã "apenas adiarão a crise em vez de resolvê-la".
"Não se pode construir uma segurança sustentável na região enquanto existirem grupos armados capazes de decidir ir à guerra, lançar mísseis e drones, e ameaçar as vias navegáveis internacionais de forma independente das instituições e da soberania do Estado", acrescentou.
Mocha, um dos principais portos marítimos do Iêmen, está localizado perto do estreito de Bab al-Mandab, um ponto estratégico de estrangulamento marítimo que conecta o Mar Vermelho ao Golfo de Áden. O porto está sob o controle das forças governamentais iemenitas.
O ataque de domingo, dia 9, ocorreu dias depois que os Houthis afirmaram na quarta-feira, dia 5, ter atingido o petroleiro saudita Wafaa com vários mísseis balísticos no norte do Mar Vermelho, na costa de Yanbu.
O porta-voz militar Houthi, Yahya Saree, afirmou que com este ataque o número de petroleiros sauditas atingidos desde 22 de julho subiu para oito, garantindo ainda que outros 29 foram impedidos de passar pelo Mar Vermelho e pelo Mar Arábico ou foram forçados a retornar.
Os confrontos se intensificaram periodicamente em várias frentes iemenitas desde o mês passado, deixando dezenas de mortos e feridos em ambos os lados.
O Iêmen estava em relativa calma desde abril de 2022, após quase 12 anos de guerra entre as forças governamentais, apoiadas por uma coalizão liderada pela Arábia Saudita, e os Houthis apoiados pelo Irã, que assumiram o controle da capital, Sanaa, e de amplas áreas do país em 2014.

