
Banco Mundial: quase metade do tempo em porto não é usada para movimentar carga
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O Banco Mundial publicou o guia 'Container Terminal Performance Improvement Guide: Improving Spatial and Operating Efficiency at Container Terminals', que conclui que quase metade do tempo que os navios porta-contêineres permanecem no porto não é dedicada à movimentação de carga. O organismo sustenta que, diante de investimentos caros em infraestrutura, melhorar a gestão operacional tem mais potencial para liberar capacidade nos terminais.
Os números por trás do relatório
Segundo dados de atracações portuárias de 2025 da S&P Global Market Intelligence citados no estudo, as operações de carga e descarga representam apenas 53,5% do tempo total de permanência no porto, enquanto os 46,5% restantes correspondem a processos de chegada, espera, tempo morto na atracação e saída. Em média, os navios esperam 12,3 horas para atracar e os processos de chegada demandam no total 16,4 horas; da atracação até a primeira movimentação de contêiner passam 2,1 horas, e do último movimento até a desatracação, outras 2,3 horas.
Mais guindastes e pátios não bastam
O relatório adverte que somar guindastes ou aumentar a densidade de armazenamento nos pátios não garante por si só maior produtividade. Um acúmulo excessivo de contêineres pode gerar movimentações adicionais e dificultar o acesso à carga, enquanto incorporar guindastes não reduz os tempos de atendimento se o pátio não tiver capacidade para receber ou fornecer contêineres. Por isso o Banco Mundial recomenda identificar primeiro as restrições que limitam o desempenho, antes de realizar novos investimentos, e atualizar diariamente o planejamento de atracações com um horizonte de 14 dias.
Ocupação de terminais e uso compartilhado de equipamentos
Citando dados da Drewry, o relatório aponta que a utilização média de capacidade dos terminais de contêineres em nível global foi de 72,2% em 2025 e deve subir para 73,1% em 2030, com risco de congestionamento que aumenta acima de 70% e se agrava acima de 80%, embora o limiar varie conforme cada terminal. Entre as medidas recomendadas estão uma programação de atracações mais dinâmica, maior coordenação com os armadores, manutenção preventiva, escalas de pessoal flexíveis e pools compartilhados de equipamentos de movimentação, que segundo o relatório podem gerar ganhos de produtividade de entre 10% e 20%.
Automação e coordenação externa
O Banco Mundial não considera a automação uma solução universal, mas sim um conjunto de soluções operacionais que devem atacar problemas já identificados, e não projetos que primeiro atualizam a tecnologia e depois buscam onde aplicá-la. O documento também ressalta que o desempenho portuário depende de fatores externos como a conectividade terrestre, os procedimentos alfandegários e as informações fornecidas pelas linhas de navegação, e propõe sistemas de agendamento para caminhões, horários de atendimento ampliados e troca antecipada de informações entre operadores, transportadores e autoridades.
Olhar a partir da América Latina
O relatório tem implicações particulares para os portos latino-americanos, onde a infraestrutura costuma ser limitada e os fluxos de carga estão em crescimento. Defende-se que, antes de realizar grandes investimentos em infraestrutura, convém otimizar o uso do espaço e dos equipamentos existentes, e que uma visão integrada com participação de governos, operadores portuários, transportadores e usuários pode ajudar a superar as dificuldades logísticas que afetam o comércio exterior da região.
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