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O regulador do setor na Costa do Marfim, o Conselho do Café e Cacau, teme que o atraso no início da colheita principal 2026/2027 gere um grave congestionamento nos portos do país.
O risco responde à pressa dos exportadores em despachar suas cargas antes que as rigorosas regulamentações contra o desmatamento da União Europeia entrem em vigor no final do ano.
Apesar dos alertas operacionais levantados por fontes da indústria, o órgão regulador do principal produtor mundial do grão garantiu recentemente que a nação africana está preparada para assumir as novas exigências do mercado europeu.
Apesar dos discursos oficiais, a indústria do cacau na Costa do Marfim antecipa um cenário crítico para o final do ano. Fontes do próprio regulador do setor e cinco empresas exportadoras advertiram que os portos de Abidjan e San Pedro enfrentarão um grave congestionamento entre novembro e dezembro de 2026, situação que ameaça colapsar a capacidade de armazenamento local.
O gargalo responde a um atraso projetado de oito a dez semanas na colheita principal. Segundo os operadores, o descompasso é produto de condições climáticas adversas, a falta de manutenção nas plantações e a incomum extensão da colheita intermediária, fatores que desaceleraram o ciclo produtivo.
"Seremos obrigados a exportar volumes massivos em um período extremamente curto durante o mês de dezembro", alertou um executivo de uma comercializadora europeia de Abidjan.
Diante do cenário de saturação, representantes do Conselho do Café e Cacau asseguraram que o organismo esgotará esforços para mitigar o impacto operacional. No entanto, as projeções do setor indicam que, embora a temporada oficial comece em 1º de setembro, as entregas semanais mal atingirão 15.000 toneladas métricas durante setembro e não ultrapassarão 25.000 toneladas em outubro.
O grosso da produção começará a entrar nos terminais no final de outubro ou início de novembro, intensificando-se fortemente durante dezembro.
Para o ciclo completo (que termina em 28 de fevereiro de 2027), o regulador estima uma colheita máxima de 1,4 milhão de toneladas, em linha com as projeções dos exportadores, que calculam um teto de 1,45 milhão de toneladas métricas.
Desse volume total, prevê-se que cerca de 900.000 toneladas ingressem nos portos marfinenses de forma concentrada entre outubro e dezembro de 2026.
Embora o número esteja abaixo dos 1,1 milhão de toneladas registrados no mesmo período de 2025 e dentro da média histórica habitual (800.000 a 1 milhão de toneladas), a estreita janela de tempo para processar os envios antes da mudança regulatória europeia ameaça sobrecarregar a cadeia logística local.
Fonte: Portal Portuario

