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Diante de relatórios que indicam que o navio porta-contêineres Dubai Tower, com bandeira liberiana, zarpou do Porto de Ningbo, na China, em uma tentativa de cruzar a Rota Marítima do Norte através do Ártico, e da notícia de que a empresa sul-coreana PanStar comprou um navio para uma iminente travessia similar, a Dra. Sian Prior, assessora principal da Clean Arctic Alliance, emitiu uma forte crítica para manifestar sua preocupação com o impacto nas comunidades indígenas e na fauna silvestre, bem como um aumento do impacto climático, maior poluição e maior perda de biodiversidade.
"As emissões de carbono negro, um potente agente climático de curta duração que resulta da queima de combustíveis fósseis marinhos, provocarão um maior aquecimento do clima e acelerarão o degelo e a perda tanto do gelo marinho quanto do gelo terrestre quando este se depositar fora da atmosfera", expressou Prior.
Quando o carbono negro cai sobre o gelo marinho, acelera seu degelo, um processo crucial no ciclo climático natural. O gelo marinho do Ártico atua como o refrigerador do planeta, controlando sua temperatura. A extensão do gelo marinho do Ártico encontra-se atualmente em seu oitavo nível mais baixo registrado, e ainda falta um mês para o equinócio de outono.
"O uso de GNL para impulsionar o transporte marítimo não é um combustível alternativo adequado devido às emissões de metano associadas a todo o seu ciclo de vida. O metano é, além disso, um potente agente climático de curta duração que contribui para o aquecimento global. Outras fontes de poluição marítima, como os derramamentos de petróleo e águas residuais e o aumento do ruído submarino, prejudicarão a saúde geral do oceano Ártico e afetarão também as comunidades indígenas árticas que dependem dos recursos do Ártico para sua alimentação", assinalou a assessora principal da Clean Arctic Alliance.
Espera-se que o Dubai Tower, operado pela empresa chinesa Sea Legend, chegue ao Porto de Felixstowe, no Reino Unido, em 7 de setembro, após o que fará escala em Hamburgo, Alemanha, e Gdynia, Polônia.
"As recentes regulamentações da OMI para reduzir o uso de óleo combustível pesado no Ártico e a designação da Zona de Controle de Emissões (ECA) do Atlântico Nordeste, adotadas pela OMI em 1º de maio deste ano, são passos positivos para reduzir os riscos de derramamentos de petróleo e as emissões de poluentes atmosféricos SOx e NOx, mas não abordarão adequadamente as emissões de carbono negro que provocam o aquecimento global no Ártico", declarou a Dra. Prior.
Uma proposta sobre combustíveis polares, copatrocinada pela Dinamarca, Alemanha, França e Ilhas Salomão, encontra-se atualmente em discussão na Organização Marítima Internacional (OMI) e a Clean Arctic Alliance pede que outros países a apoiem e que seja aplicada dentro da área utilizada como base do Programa de Monitoramento e Avaliação do Ártico (AMAP) do Conselho Ártico.

