• 6 min de lectura
• 6 min de lectura

Após a maior interrupção geopolítica no fornecimento de petróleo já registrada, o fundador da JSV Global argumenta que o orçamento de combustível baseado em previsões de ponto único é agora uma responsabilidade estrutural para transportadoras, frotas e compradores de energia
CLARK, N.J., 22 de agosto de 2026 /PRNewswire/ -- Doze meses atrás, o consenso sobre os preços globais do combustível era uniformemente pessimista. O Banco Mundial projetava uma baixa de seis anos nos preços das commodities. Grandes bancos previam um ano "limitado" para o petróleo bruto na faixa de US$ 50 a US$ 60 o barril. Esperava-se que a gasolina no varejo permanecesse confortavelmente abaixo de US$ 3 o galão.
Nada disso se concretizou.
Começando no final de fevereiro, uma ação militar que afetou o Irã desencadeou o que pesquisadores de energia descreveram como a maior interrupção geopolítica no fornecimento de petróleo da história — duas a três vezes maior em escala do que os choques de 1973 ou 1990. O Estreito de Ormuz, o gargalo por onde normalmente se move cerca de um quinto do fornecimento mundial de petróleo, foi efetivamente fechado para o transporte marítimo. O fornecimento global de petróleo caiu mais de 10 milhões de barris por dia apenas em março, a maior interrupção em um único mês já registrada. O petróleo WTI subiu quase 98% em relação ao início do ano, atingindo uma máxima de 46 meses acima de US$ 112 o barril no segundo trimestre.
Para Jason Venturelli, fundador e CEO da JSV Global, os eventos de 2026 validaram um aviso que ele vinha emitindo a clientes e colegas da indústria há anos: a era de prever os custos de combustível com base em um único número esperado acabou.
"O que aconteceu este ano não foi um cisne negro — foi um lembrete de quão tênue a margem de erro sempre foi", disse Venturelli. "Um quinto do petróleo mundial se move por um estreito. Quando esse estreito é interrompido, a onda não é linear, é exponencial. Vimos os spreads de crack do combustível de aviação dispararem para mais de quatro vezes sua norma histórica em questão de semanas. Vimos os preços do VLSFO dobrarem e ultrapassarem US$ 1.000 por tonelada. Qualquer organização que construiu seu orçamento de 2026 com base em um único número de petróleo bruto já estava atrasada antes do início do ano."
Um Ano Definido por Gargalos, Não por Fundamentos
A escala da interrupção tem sido incomum não apenas em magnitude, mas em duração. Um memorando de entendimento provisório entre EUA e Irã em junho puxou brevemente o Brent de volta para a faixa dos US$ 70, oferecendo uma curta janela de alívio. Mas no final de julho, novos ataques a petroleiros no Estreito de Ormuz — agravados por uma nova ameaça de bloqueio contra as exportações de petróleo saudita através do Estreito de Bab el-Mandeb — empurraram o Brent de volta para cerca de US$ 105 o barril. De acordo com a perspectiva mais recente da Administração de Informações de Energia dos EUA, as interrupções através de Ormuz devem persistir durante agosto, com a normalização total não prevista até o início de 2027.
Os produtos refinados, em vários aspectos, foram ainda mais atingidos do que o próprio petróleo bruto. Diesel e combustível de aviação — produtos com flexibilidade limitada para serem obtidos fora do Oriente Médio — suportaram uma parcela desproporcional do choque. Os preços do combustível de aviação quase triplicaram em um ponto depois que a capacidade de exportação do Oriente Médio foi desativada, e a IATA agora projeta que os preços médios do combustível de aviação para o ano inteiro de 2026 ficarão em torno de US$ 152 o barril, aproximadamente 70% acima dos níveis de 2025, elevando os custos globais de combustível das companhias aéreas para US$ 350 bilhões e cortando a lucratividade da indústria em quase metade.
"Esta é a parte que se perde nas manchetes do petróleo bruto", observou Venturelli. "Diesel e combustível de aviação são onde a verdadeira dor operacional se manifesta — para companhias aéreas, para frete, para qualquer um que opere uma frota. O spread de crack do combustível de aviação no noroeste da Europa disparou para mais de US$ 121 o barril nesta primavera. Isso não é um erro de arredondamento em um orçamento. Isso é um modelo de negócios sob pressão."
O Risco de Fraude Escondido na Volatilidade
Venturelli também está usando a plataforma da JSV Global para levantar uma consequência menos discutida das oscilações de preços deste ano: um aumento acentuado na fraude de comércio de commodities visando compradores desesperados para garantir combustível abaixo das taxas de mercado.
"Toda vez que a volatilidade dispara, a fraude também dispara", disse Venturelli. "Assistimos a um ressurgimento de ofertas de carga não solicitadas — diesel EN590, óleo combustível pesado combinado com combustível de aviação — cotadas a preços que não fazem sentido em relação ao benchmark Platts, acompanhadas de pedidos de taxas antecipadas ou instrumentos de pagamento exóticos. Estes não são novos golpes, mas este ambiente está lhes dando oxigênio. O combustível real se move através de refinarias estabelecidas, corretores e canais bancários verificados. Se uma oferta de carga parece boa demais para ser verdade em um cenário como este, ela é."
Olhando para 2027 — com Cautela
A maioria dos analistas, incluindo a EIA, ainda espera um eventual alívio assim que a produção e o transporte do Golfo retornarem às condições normais de operação, com os preços projetados para diminuir para a faixa de US$ 69 em 2027 à medida que os estoques se reconstroem. Mas Venturelli adverte contra a leitura disso como um sinal para relaxar.
"A perspectiva de longo prazo apontando para o alívio está fazendo muito trabalho nessa frase", disse ele. "Ainda somos reféns de um conjunto restrito de gargalos e de um processo de paz que já se mostrou frágil uma vez. As organizações que sairão bem disso não são as que apostam em um número — são as que constroem proteções, amortecedores e consciência geopolítica em tempo real como uma disciplina permanente, não uma reação à última manchete."
Sobre a JSV Global
A JSV Global, liderada pelo fundador e CEO Jason Venturelli, atua na interseção de mercados de commodities, estratégia de risco e planejamento operacional, ajudando as organizações a navegar pela volatilidade nos mercados de energia e combustível. A orientação da empresa baseia-se na análise de mercado em tempo real e no foco na resiliência estrutural em vez da previsão pontual.

