• 3 min de lectura
• 3 min de lectura

A venda da IPA Steel Terminal para a canadense Logistec não foi resultado de uma estratégia de desinvestimento, mas de uma oportunidade que surgiu em uma operação que, por mais de 17 anos, havia sido construída sob uma lógica distinta: crescimento orgânico, reinvestimento constante e especialização no manuseio de aço e carga geral no porto de Altamira.
"Não estávamos à venda, nunca estivemos à venda", afirma Jurgen Hess em entrevista ao reconstruir a origem de uma negociação que pegou de surpresa até mesmo seus próprios diretores. O terminal, fundado em 2009, vinha de uma trajetória ascendente que o levou a movimentar 400 mil toneladas em seu primeiro ano para atingir picos próximos a três milhões de toneladas, em um processo marcado por investimentos contínuos em infraestrutura, equipamentos e segurança.
Esse posicionamento - como um dos players relevantes dentro de Altamira - foi precisamente o que atraiu a Logistec. De acordo com o comunicado em meados de fevereiro deste ano, a empresa canadense concretizou a aquisição de 100% da Inmobiliaria Portuaria de Altamira (IPA) e todas as suas unidades no porto de Tamaulipas, o que representa sua entrada no mercado mexicano e, em perspectiva, sua plataforma de expansão para a América Latina.
A abordagem inicial, no entanto, não tinha esse objetivo. Há pouco mais de um ano, a conversa começou como uma possível aliança comercial. "Dissemos a eles que eram bem-vindos para fazer alguma aliança, mas não estávamos procurando vender nem incorporar sócios", lembra Hess. A evolução para uma compra total foi o resultado de um processo intensivo de negociação e uma due diligence exaustiva que, nas palavras do próprio diretor, revisou "absolutamente tudo" e confirmou a solidez operacional, administrativa e fiscal do terminal.
O giro definitivo chegou quando a proposta cresceu de uma participação parcial para a aquisição total. Por trás dessa decisão também influenciou a saída natural de alguns sócios originais - particularmente investidores de perfil mais passivo - e a oportunidade de integrar o terminal a uma rede com escala internacional. Ainda assim, a decisão não foi fácil. "É o legado que meu pai (Rudolph Hess) nos deixou, Christian (meu irmão) e eu fomos os que construímos e levantamos o negócio", admite Hess, ao reconhecer o componente emocional da operação.
Além da transação, a operação da IPA revela por que se tornou um ativo atraente. O terminal conta com um cais de 273 metros - em expansão -, cerca de 200 mil metros quadrados de áreas de armazenamento entre suas distintas instalações, ramal ferroviário com capacidade para receber até 40 gôndolas em operação escalonada, e um parque de guindastes e empilhadeiras projetado para cargas de alta tonelagem.
Fonte: t21

