
Alemanha bloqueia venda da empresa de logística Zippel ao grupo chinês Cosco
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O governo alemão bloqueou a aquisição de 80% da empresa de logística Zippel, com sede em Hamburgo, pelo grupo armador estatal chinês Cosco Shipping. O gabinete federal aprovou a proibição na quarta-feira, 7 de outubro, invocando motivos de segurança nacional que revogaram uma autorização anterior concedida por razões de concorrência.
Riscos para a cadeia de suprimentos
O ministério da Economia alemão afirmou que a operação teria aprofundado dependências estratégicas e comprometido a resiliência das cadeias de suprimentos da Alemanha e da União Europeia. A autoridade antitruste do país já havia dado sinal verde ao acordo em fevereiro, por considerar que as questões de segurança nacional estavam fora de sua competência, de modo que foi a revisão de investimentos estrangeiros que acabou freando a operação.
O papel da Zippel na logística militar
A Zippel é especializada no transporte de contêineres entre portos marítimos e destinos do interior, movendo cargas que chegam a Hamburgo e Bremerhaven até centros industriais do leste da Alemanha por ferrovia, estrada e vias navegáveis interiores. A empresa movimenta entre 35% e 90% dos volumes de contêineres em terminais interiores de Berlim, Schkopau e Elsterwerda, além de prestar apoio logístico à OTAN e às forças armadas alemãs, o que gerou objeções dos serviços de inteligência alemães.
Reação da Zippel e da Cosco
O diretor executivo da Zippel, Axel Plass, afirmou em comunicado que teriam preferido outro resultado, mas que continuam considerando correta sua decisão comercial, e esclareceu que as operações diárias da empresa continuarão como até agora. A Cosco, por sua vez, não respondeu de imediato a um pedido de comentários sobre a decisão.
Precedente em Hamburgo e nova postura mais dura
A Cosco já possui uma participação minoritária em um terminal de contêineres do porto de Hamburgo, o Container Terminal Tollerort. Segundo a datamar news, o governo alemão anterior autorizou essa participação em 2023, apesar de fortes divergências dentro da coalizão, enquanto a splash 247 indica que a Cosco buscava originalmente 35% da operadora do terminal, mas só foi autorizada a assumir 24,99% após a intervenção do governo alemão em 2022. A decisão sobre a Zippel marca uma postura mais rígida de Berlim frente aos investimentos chineses, em um contexto em que a Alemanha prepara uma legislação mais rigorosa para o controle de aquisições em infraestrutura estratégica.
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