
Grupo México desiste da disputa pela privatização da Belgrano Cargas na Argentina
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Grupo México, o conglomerado controlado pelo empresário Germán Larrea, retirou seu interesse em apresentar proposta pela estatal argentina Belgrano Cargas. A decisão foi confirmada por um porta-voz da empresa e representa um revés para o plano do presidente argentino, Javier Milei, de atrair capital privado para modernizar a rede ferroviária de cargas do país.
Uma proposta que liderava a disputa
A empresa mexicana se destacava como uma das candidatas internacionais mais sólidas para ficar com a rede, que conecta regiões agrícolas e de mineração aos portos de exportação. Sua proposta incluía uma aliança com a norte-americana Wabtec e um investimento de até US$ 3 bilhões para renovar o sistema, além de contar com o apoio de organismos financeiros dos Estados Unidos.
O desacordo quanto ao acesso aberto
O ponto de ruptura foi o modelo de privatização escolhido pelo governo argentino, que propõe um esquema de "acesso aberto" ou "open access", no qual um operador administra a infraestrutura, mas convivem outros operadores que pagam um pedágio para circular. O Grupo México já havia advertido em julho que sua participação estava condicionada à obtenção do controle exclusivo tanto da infraestrutura quanto da operação comercial, e finalmente anunciou que não avançaria na licitação.
As razões técnicas da retirada
Segundo um comunicado da empresa, o esquema de open access reduz a possibilidade de alcançar economia de escala, é ineficiente, aumenta custos e requer subsídios públicos para se sustentar, além de ter provocado falências em outras empresas que operaram sob esse modelo em outros países. O Grupo México propunha investir US$ 3 bilhões para colocar em condições de rentabilidade comercial cerca de 6.200 quilômetros das linhas San Martín e Belgrano sem que o Estado precisasse subsidiá-los, enquanto o edital oficial prevê que o Estado aporte US$ 1 bilhão e que o futuro concessionário precise solicitar mais recursos estatais cada vez que necessitar de reparos nos 7.500 quilômetros da rede, que inclui também a linha Urquiza.
Quem segue na disputa
A abertura dos envelopes da licitação está prevista para 11 de novembro, e a saída do Grupo México deixa como favoritos os operadores locais. Entre eles figura um consórcio de empresas agroexportadoras que inclui filiais da Bunge, Cargill e Louis Dreyfus Company, junto com empresas locais como a Asociación de Cooperativas Argentinas e a Aceitera General Deheza, além do Grupo Roggio e da mineradora Rio Tinto.
O peso do trem na logística argentina
A Belgrano Cargas opera uma rede de 7.594 quilômetros, segundo o Portal Portuario, ou de quase 7.600 quilômetros, segundo o bichos del campo, que conecta 16 províncias e cuja concessão será definida pelos próximos 50 anos. Atualmente, menos de 5% do transporte de carga na Argentina é realizado por trem, o que gera uma alta dependência de caminhões e encarece os custos logísticos para exportar soja, milho, trigo e minerais.
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